sexta-feira, 15 de maio de 2015

Vaticano reconhece oficialmente Estado Palestiniano


O Catholic News assinala na sua conta de Twitter que o Vaticano acaba de formalizar um tratado com o Estado Palestiniano. O acordo é "único" porque regula a vida da Igreja na terra onde nasceu o cristianismo, avança a agência noticiosa, fazendo referência ao subsecretário de Estado do Vaticano. No documento são abordadas questões como a liberdade de religião e matérias respeitantes a locais de culto e impostos, entre outros temas.
O Vaticano celebrou em 2012 a decisão da Assembleia Geral da ONU de reconhecer o Estado Palestiniano, mas o acordo desta quarta-feira é o primeiro documento legal entre a Santa Sé e as autoridades palestinianas. No próximo 16 de maio terá lugar um encontro entre o papa Francisco e o líder palestiniano Mahmoud Abbas.
http://www.esquerda.net/breves/vaticano-reconhece-oficialmente-o-estado-palestiniano

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Câmara discutirá regulação econômica da mídia

Escrito por: Redação
Audiência pública marcada para a próxima quinta (7/5) discutirá duas propostas de lei que combatem o monopólio no setor

Duas propostas importantes para a democratização da comunicação no Brasil serão discutidas em audiência pública na Câmara dos Deputados na próxima semana (7/5): os projetos de lei (PL) 4026/2004, de autoria do ex-deputado Cláudio Magrão (PPS-SP), e 6667/2009, proposto pelo deputado Ivan Valente (Psol-SP). Ambos regulamentam a Constituição Federal (Art. 220), impondo limites à propriedade dos meios de comunicação e à audiência para combater o monopólio no setor, e tramitam apensados.

A audiência foi requerida pela deputada Luiza Erundina em março e será realizada às 9h30 da próxima quinta-feira (7/5), no plenário 13 do anexo II da Câmara. O ministro Ricardo Berzoini, das Comunicações, é um dos convidados, junto com Ana Carolina Lopes de Carvalho, assessora da presidência do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Murilo Cesar Ramos, professor da Universidade de Brasília (UnB) e Rosane Bertotti, Coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

O PL 4026/2004 altera o Decreto-Lei 236/67 e limita em no máximo 50% a audiência de uma mesma rede de televisão (em qualquer horário). Esse limite já é realidade em países como os Estados Unidos, onde uma única empresa de comunicação não pode ter mais que 39% da audiência da população em território nacional. A proposta também estabelece limites à propriedade de emissoras por empresas de rádio. 

Na justificativa do projeto, o autor observa que o Decreto-Lei 236 tem quase meio século e refletia uma realidade em que as emissoras operavam isoladamente ou formavam pequenas redes, o que não acontece hoje. A ideia é "pensar em alguma forma de administrar essa situação, delimitando o poder de mercado dessas empresas".
O PL também estabelece suspensão das outorgas de retransmissoras e repetidoras que excederem o índice de audiência estipulado, o que que caracteriza domínio de mercado relevante, nos termos do Art. 20, inciso II, da Lei 8.884/94 (lei do Cade – Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O PL foi desarquivado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados em fevereiro deste ano.

A proposta do deputado Ivan Valente (PL 6667/2009) responde à demanda da I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) por políticas públicas capazes de coibir o monopólio e o oligopólio no setor de radiodifusão. O projeto tipifica a concentração horizontal e vertical nos meios de comunicação, proíbe que empresas do setor tenham acionistas ou cotistas integrantes de empresas de jornais, revistas e outros periódicos impressos, de empresas de televisão por assinatura ou de telecomunicações, além de estabelecer limites para a propriedade de emissoras de rádio e TV.

Bia Barbosa, coordenadora de Comunicação do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) comemora a realização da audiência. Para ela, a iniciativa demonstra que a despeito do desinteresse dos empresários do setor em discutir a concentração, “por interesses óbvios”, e da lentidão do governo em fazer a discussão avançar, as entidades sociais organizadas em prol da democratização da comunicação não param de cobrar que o poder público abra um espaço para fazer esse diálogo com a sociedade. “Nossa constituição proíbe o monopólio, mas até hoje não foi colocada em prática, por isso temos que debater esse tema sem melindres”, defente.

Conheça as propostas

Autor: ex-deputado Cláudio Magrão (PPS-SP)
Dispõe sobre os limites à concentração econômica nos meios de comunicação social, e dá outras providências. 

Autor: Ivan Valente (PSOL-SP)
Estabelece limites para a propriedade de empresas de comunicação social, proíbe a propriedade cruzada nos meios de comunicação, e dá outras providências. 

                                                        LER MAIS EM     http://www.fndc.org.br/ 

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Internet: a sombra de um grande retrocesso



 28/04/2015CATEGORIAS: COMUNICAÇÃODESTAQUESINTERNETJORNALISMOSOCIEDADE
Antes aberta, democrática e descentralizada, rede está ameaçada por novos monopólios. Facebook manipula fluxo de informações e experimenta influir no estado emocional das populações. Há saída?
Por Rafael Evangelista
Todos os dias, milhões de pessoas ao redor do mundo repetem, ao acordar, o mesmo gesto: desligam o despertador do celular, ligam o wi-fi de casa, acessam as redes sociais e conferem as notícias recentes, escolhidas – literalmente – a dedo por aqueles que resolvemos “seguir”: amigos, amigos da rede, personalidades, jornalistas, formadores de opinião, colunistas, piadistas. Se o ritual não é exatamente esse, não foge muito de um roteiro comum. O café da manhã com as notícias do jornal, selecionadas no dia anterior pelo editor-chefe da renomada publicação e que congregava o que era “preciso saber” sobre o que aconteceu no mundo, vai sendo substituído. A seleção, por um lado, é mais distribuída (democrática?) e bebe das fontes mais diversas, confiáveis ou não. Por outro, não obedece a uma ordenação visível, equilibrada ou, aparentemente, lógica. É feita de acordo com o leitor, de acordo com sua ficha no sistema ou com algo derivado disso, relacionado ao perfil, gostos ou interesses das pessoas ou instituições a que está conectado como amigo, seguidor ou qualquer que seja a palavra que a rede social escolhe para designar a ligação entre perfis.
Essa, porém, é somente a versão mais simples da situação, do novo cenário que marca o nosso consumo de notícias, informação e cultura, a relação mediada que estabelecemos com o mundo, com a realidade, via meios de comunicação. Nessa relação, o jornalismo está incluído, mas é apenas uma parte do conjunto de produções informacionais que nos é entregue diariamente pelo mesmo canal, ou por um conjunto de canais/redes sociais a partir dos quais somos indicados a que vídeos ver, que música ouvir, que notícias e opiniões consumir. Como uma televisão de programação fragmentada, onde a fronteira entre ficção e realidade é borrada freneticamente.

As questões mais visíveis que se colocam aí – falaremos também de outras, subterrâneas – dizem respeito a como se tornou emergente a seleção do que nos é apresentado. Por emergente entende-se algo que não obedece, a priori, um comando total centralizado, um indivíduo ou um conjunto determinado de indivíduos que escolhe soberanamente o que vai estar na capa e nas folhas internas do jornal. A escolha passa a se dar “de baixo para cima”, derivada de uma interação, que varia de acordo com cada usuário, entre os diversos pontos da rede. O “jornal” que leio certamente será diferente do jornal que outros leem. Talvez seja parecido com o de outros palmeirenses, da região de Campinas, interessados em tecnologia e sociedade. Ainda assim, não idêntico.
A própria ideia de jornal parece cada vez mais como algo do passado. Os veículos, sejam os jornais e revistas físicos que comprávamos na banca, sejam os grandes portais dos primeiros anos da internet, se estilhaçam. Os recebemos aos pedaços, uma matéria, uma coluna, uma charge. Continuam lá, como estrutura, ainda podemos navegar por eles. No caso dos portais, foram tornados imensos, na busca desesperada por cliques, em que tanto faz 100 cliques em 10 matérias ou 10 cliques em 100 matérias. Mas consumimos os veículos despedaçados, com o nome do jornal ou do site mais funcionando como uma referência de confiabilidade e inclinação político-editorial do que qualquer outra coisa. Uma marca, a se confiar muito, pouco ou nada.
Veículos de comunicação do mundo todo, e de todos os tamanhos, hoje dependem das redes sociais para terem seus conteúdos acessados pelo grande público. Quem está fora delas, ou não as alimenta com verbas publicitárias dos mais variados tamanhos, dificilmente alcança uma audiência relevante. Movimentos sociais, que nos últimos anos apostaram quase todas as suas fichas na mobilização via redes sociais mais famosas – afinal, todo mundo está lá – hoje estão praticamente igualados a qualquer empreendimento comercial. O Facebook, por exemplo, tem uma política ativa de eliminação de perfis que não sejam de pessoas físicas. O objetivo é fazer a separação em dois tipos de usuários/postadores de coisas: as pessoas físicas, cuja relação é dada com outras pessoas que veem seus posts mutuamente; e as pessoas jurídicas (vale qualquer uma delas, empresas, movimentos, artistas, intelectuais), que pagam para terem seu conteúdo distribuído maciçamente – quanto mais dinheiro, mais distribuição – ou ficam restritos à comunicação com uma meia dúzia de assinantes, apenas uma fração das pessoas que manifestaram ativamente quererem acompanhar os conteúdos daquela fonte.

No entanto, o mais relevante, e politicamente mais importante, é o que não sabemos sobre o modo como se dá essa distribuição de conteúdos. Os critérios subterrâneos, como dito anteriormente. Continuemos a usar o Facebook como exemplo, embora isso valha para qualquer sistema de recebimento de conteúdo via feed (linha do tempo, no caso do Facebook) governado por algoritmos. A interação entre as pessoas é intermediada por uma fórmula fechada (secreta) que estabelece critérios sobre de que “amigos” receberemos conteúdos, de quais tipos e com que frequência. Isso significa que o usuário não estabelece uma relação direta com quem segue, que não há garantias de que o que posta em seu perfil será entregue a todos os seus seguidores. Isso dependerá de razões que não conhecemos, que a princípio se relacionam com as micro-redes estabelecidas (os subconjuntos de amigos que conversam entre si), mas que são bem mais complexas do que isso e mudam ao sabor dos interesses do dono da estrutura.
A manipulação invisível
Em meados do ano passado, usuários e instituições que se preocupam com o gerenciamento da internet foram surpreendidos com a notícia de que o Facebook alterou o feed de aproximadamente 700 mil usuários para se estudar o que se chama de “contágio emocional”. Lê-se no artigo publicado sobre o estudo: “Estados emocionais podem ser transferidos a outros via contágio emocional, levando as pessoas a experimentarem as mesmas emoções sem sabê-lo. O contágio emocional é um fenômeno bem estabelecido em experimentos de laboratório, com as pessoas transferindo emoções positivas e negativas umas às outras”. O experimento ocorreu durante uma semana, em 2012, comprovando a tese sobre o contágio. Realizado pelas Universidades de Cornell e da Califórnia, nos Estados Unidos, a manipulação dosfeeds desses usuários contou, como não poderia deixar de ser, com o apoio do Facebook, interessado nos resultados. Mais, ele não teria ocorrido a pedido dos pesquisadores, mas após o Facebook realizar a manipulação. Os cientistas apenas trabalharam com os dados fornecidos pela empresa. As informações são de matéria daThe Atlantic, uma das primeiras a divulgar o estudo.
Embora tenha sido criticado por sua falta de ética, o estudo não fez nada ilegal, já que os termos de uso aceitos pelos usuários do Facebook permitem esse tipo de manipulação.

Além de questões óbvias envolvendo a manipulação dos usuários de redes sociais para esse tipo de experimentação, o caso traz preocupações políticas bastante claras. Segundo Susan Fiske (editora da revista que publicou o artigo, o Facebook manipula ofeed de notícias de seus usuários o tempo todo. Ela teria sido informada disso pelos autores do estudo, após questioná-los sobre a ética do experimento. Isso significa que esse tipo de manipulação não é eventual e provavelmente continua sendo feita. O sentimento de humor estragado, após aquela entrada matinal no Facebook, pode não ser um acaso, uma ilusão emocional ou reflexo de que é preciso refazer sua lista de amigos. Pode estar ligado ou a algum teste, como no passado, ou a algum objetivo consciente, ainda que não público.
Para além do caso relatado, podemos imaginar um tipo de manipulação emocional mais focalizada, com impactos possivelmente maiores e consequências práticas complicadas. Os usuários das redes sociais estão ali para interagir e obter informações, seja dos amigos ou do mundo. O que capturam a partir dali, as informações que obtêm, influenciam inegavelmente em suas ações no dia a dia. O factual ainda pode ser refutado ou checado. As emoções, não. De modo diverso, elas também impactam as ações concretas, porém são menos verificáveis. Por mais que isso pareça um cenário de ficção científica é preciso pensar: e se for possível alterar o clima de confiança de uma região inteira?; que impactos políticos e econômicos isso teria?
Dos mecanismos de busca aos feeds obscuros
A questão é que, nos últimos anos, o perfil de uso da web mudou. Passamos de um modelo em que tínhamos os motores de busca como centrais para outro em que somos governados/administrados pelos feeds que recebemos. Nossa atenção é constantemente chamada, procuramos muito menos pelos conteúdos.
O impacto disso seria muito menor e muito mais relativo se esses algoritmos fossem públicos e mais administráveis por quem os usa. Mas, muito pelo contrário, são secretos, têm propriedade intelectual e caminhamos para uma internet muito mais centralizada, comandada por poucas empresas de tecnologia, ainda que espalhada por diversos servidores ao redor do globo, que agregam todos os serviços que usamos: redes sociais, e-mail, plataformas de publicação de textos e vídeos.
Desde meados da década de 1950, após o grande trauma da Segunda Guerra Mundial, confiamos na comunicação como meio para a paz e estabilidade. Nossa utopia orientadora, de raiz iluminista, nascida no meio do século passado, mas vigorosa no século XXI, diz que é possível resolver quase todas as nossas diferenças pela via da comunicação, pequenas ou grandes. Guerras seriam evitadas se os povos tivessem maior entendimento mútuo. Conflitos de classes poderiam ser resolvidos pela negociação e pelo entendimento. A comunicação científica poderia melhorar as relações entre ciência e sociedade, pavimentando um futuro de progresso científico para todos.
A internet, surgida pelas mãos e ideias de pesquisadores que foram fundamentais na construção dessa utopia, encaixou-se como uma luva. Para a luta pela democratização da comunicação ela apareceu como fórmula mágica, como saída não conflitiva para a concentração dos meios. Não seria mais preciso brigar por uma divisão justa do espectro eletromagnético (aquele em que se distribui desde os canais de televisão, de rádio, aos sinais de celular): a internet multiplicaria exponencialmente os canais; cada pessoa, grupo ou coletivo poderia ser um canal. Mas pouca gente se atentou que esses cabos, domínios, IPs, servidores, têm dono, são privados. E quem é dono manda. Com as redes sociais esse cenário parece ter se agravado, as pessoas estão concentradas em “jardins murados”, em ambientes restritos da web que se parecem com condomínios privados. Por um lado, aqueles que não têm voz nos canais tradicionais motivam-se a disputar espaço e a falarem para muita gente ali reunida. Por outro, vivem as limitações materiais e de software de um espaço que não controlam.
É preciso politizar a internet e entender seu uso e funcionamento material na atualidade. Ao mesmo tempo, é preciso recuperar e analisar criticamente as utopias da comunicação que nos informam. Assim, poderemos entender as mudanças pelas quais passam o sistema informativo do mundo, podendo agir conscientemente sobre ele em direção a estruturas democráticas de comunicação. A ação e a cultura política não são decorrências mecanicamente determinadas por essas estruturas, mas podem tender para cenários desagregadores, autoritários e contrários aos direitos humanos se assim forem manipuladas ler  mais  em :. http://outraspalavras.net



sexta-feira, 24 de abril de 2015

PUBLICOM- Semana de Comunicação Pública do Pará será realizada em Xinguara

O município de Xinguara, no sul do Pará, recebe pela primeira vez nos próximos dias 28 e 29 a Publicom – Semana de Comunicação Pública do Estado do Pará, evento promovido pela Secretaria de Estado de Comunicação (Secom). A programação inclui palestras e oficinas sobre temas importantes no universo comunicacional, como a comunicação digital no setor público, oficinas de web, fotografia, redação, jornalismo impresso, rádio, TV e cerimonial. O objetivo é oferecer aprimoramentos para o público interno e externo do governo do Estado, como assessores, estagiários e parceiros.
A Publicom amplia o raio de atuação e pretende levar eventos também ao interior do Pará, a fim de compartilhar o conhecimento e se aproximar ainda mais daqueles que fazem comunicação nas regiões mais distantes da capital. “O encontro tem como foco a troca de experiências e o diálogo aberto e permanente entre os profissionais que trabalham com comunicação no Estado. Por exemplo, a Agência Pará tem notícias atualizadas diariamente com informação de interesse público e que podem ser trabalhadas por diferentes veículos de comunicação, uma vez que é prestação de contas e de serviço. A informação existe e essa proximidade pode facilitar que ela chegue até o cidadão com maior agilidade”, diz o secretário de Comunicação, Daniel Nardin.
A primeira edição da Semana de Comunicação ocorreu em setembro de 2013, em Belém, com a participação de mais de 160 participantes, bem como de especialistas nacionais, como Conrado Adolpho, Marcelo Vitorino e Martha Gabriel. Em Xinguara, entre os profissionais convidados, estão a jornalista Úrsula Vidal, além do secretário Daniel Nardin. “A partir de 2015, a Secom quer estreitar as relações com quem faz a comunicação no interior, não necessariamente com quem trabalha para o Estado, mas pessoas que trabalham nas prefeituras e na iniciativa privada. Começamos por Xinguara, um município estratégico, para alcançar todo o sul do Pará”, explica Petterson Farias, um dos coordenadores da Publicom.
A proposta é levar a Publicom às regiões do Araguaia, Baixo Amazonas e Marajó, contemplando novos municípios e conectando ainda mais as pessoas que fazem a comunicação pública do Pará. “É um projeto que começa por Xinguara, mas que certamente vamos levar adiante para todas as regiões. O debate e o diálogo são fundamentais para que possamos, enquanto Secretaria de Comunicação, aprimorar nosso trabalho e o acesso da população às informações do Estado”, enfatiza Daniel Nardin.
Evento voltado a assessores do Estado, empresários do ramo e profissionais de comunicação dos 16 municípios do Araguaia.

Programação:
Quando: Dias 28 e 29 de abril de 2015

Programação do Publicom Regional – Xinguara:
– Palestras do dia: 8h às 12h
– Almoço: 12h às 14h
– Oficinas: 14h às 18h
28/04 (ter)
29/04 (qua)
8h/12h
8h – Abertura: Daniel Nardin e Prefeito de Xinguara
9h – Diretores Secom
10h – Coffee break
10h15 – Mesa redonda: Os Desafios da Comunicação no Interior do Pará
8h – Abertura: Representantes Locais
10h – Coffee Break
10h15 – Palestra: Úrsula Vidal
12h/14h
Almoço
14h/18h
14h – Workshop DCI: Comunicação Digital no Setor Público – Noções Básicas
Profissionais: Petterson Farias e Luiza Coutinho
14h – Workshop: Assessoria de Comunicação

Profissional: Sonia Ferro

quarta-feira, 22 de abril de 2015


Cultura: fotos Históricas

Para uma história social da reprodução fotomecânica



A. Ribeiro. Urca e Pão d’Assucar. c. 1905. Rio de Janeiro
No início do século 19, antes mesmo do anúncio das primeiras variantes do processo fotográfico – que empregaram a camera obscura para a obtenção das imagens – diversos de seus pioneiros estiveram envolvidos em esforços para multiplicar ‘fotograficamente’ as estampas (ou gravuras) que ofereciam, até então, a melhor possibilidade de disseminação/circulação de imagens, reproduzidas a partir de matrizes cuja confecção demandava muito trabalho, habilidades específicas e uma série de cuidados.
Mas apenas ao final do século 19, quando aprefeiçoou-se a ‘reprodução fotomecânica’, é que foram viabilizados os primeiros processos de impressão gráfica que possibilitaram a reprodução em massa, com fidelidade e qualidade — através das páginas das revistas, dos livros e depois dos cartões postais — das imagens originalmente obtidas através de processos fotográficos. A fotografia deixa de ser um objeto, um artefato, para tornar-se apenas uma superfície, uma imagem impressa. Foi esta a grande revolução que tornou a imagem fotográfica onipresente — o que foi ainda mais intensificado em tempos recentes, através da revolução digital.
No Brasil, até aqui, avançamos pouco no estudo deste universo específico, tão crucial para que a fotografia viesse a cumprir integralmente o seu papel, em nossa sociedade. Quase nada sabemos sobre os desafios enfrentados pelos empresários e gráficos de então, ao optar por tais processos, seja em seus aspectos tecnológicos, econômicos e de recursos humanos. E tampouco acerca da recepção dos mesmos que, em boa parte, acabaram esquecidos.
Aqui, pretendemos lançar luz sobre um processo que se fez presente no Brasil, com relevo, na virada do século 19 para o 20: a ‘colotipia’ ou ‘fototipia’, um processo de impressão fotomecânica planográfica – na verdade, uma variante da fotolitografia – também baseado na descoberta feita por Poitevin, em 1855, da propriedade que a gelatina bicromatada tem, quando úmida, de absorver mais ou menos tinta de impressão, segundo os graus diversos de endurecimento que adquire, proporcionalmente à quantidade de luz recebida através de um negativo fotográfico. Foi experimentada na pedra, no cobre e consolidou-se quando a matriz de impressão passou a ser produzida sobre uma espessa chapa de vidro.
A colotipia ou fototitpia também foi denominada colografia, gelatinografia ou heliotipia. Ocorrem, ainda, variantes deste processo denominadas por albertipia ou albertotipia, artotipia, aquatone, helioplastia, entre outras.
Importantes empresários e fotógrafos do período (como Henrique Lombaerts, Marc Ferrez e A. Ribeiro) editaram publicações ilustradas, imagens publicitárias e séries de cartões postais fotográficos em colotipia. Este processo proporciona uma impressão de qualidade, com bom contraste, boa gradação tonal e que aparenta tratar-se mesmo de uma imagem fotográfica de tom contínuo, cujo padrão de retícula só pode ser visualizado sob o exame de uma lupa.
Segundo Frederico Porta, em seu indispensável Dicionário de Artes Gráficas, “apesar da perfeição das cópias fototípicas, o processo ficou circunscrito a uns poucos trabalhos especializados, como a impressão de postais, por dois poderosos motivos: tiragem demorada, não ultrapassando da média de umas cinqüenta provas à hora, e precariedade da matriz, que dificilmente suporta mais de mil impressões.”
Nesta galeria, selecionamos alguns exemplos de imagens impressas por este processo, desde o mais antigo exemplo conhecido na imprensa periódica, no Brasil: um fac-símile de manuscrito do escritor Machado de Assis, aparecido em publicação editada por Lombaerts. De Manaus, destaque para o arrojado panorama de George Huebner. De São Paulo, há imagens de Otto Quaas e de Guilherme Gaensly — estas, fazem parte de uma série estupenda, realizada pelo talentoso fotógrafo. Mas a maioria das imagens escolhidas refere-se, mesmo, à cidade do Rio de Janeiro – porque desejamos homenageá-la, nesta passagem dos seus 450 anos. A exuberante arquitetura da loja A Torre Eiffel, cartões postais das séries editadas por A. Ribeiro e alguns dos colótipos produzidos por Marc Ferrez – tudo para nos deixar saudosos de um Rio que passou.
………………………………………………………………………………………………………………………………………..
Curadoria de Joaquim Marçal Ferreira de Andrade/FBN


http://brasilianafotografica.bn.br/