sexta-feira, 30 de setembro de 2016

MEC Adverte: Educação Faz Mal À Saúde, Artigo De Daniel Clemente

 Frase de Nelson Mandela, em ocupação de escola pública. Imagem: Fotos Públicas
[EcoDebate] O maior “legado” dos Jogos Olímpicos Rio 2016: A exclusão da educação física da grade curricular do ensino médio. “Se o penhor dessa igualdade, conseguimos conquistar com braço forte”. Meu hino meu mito! Nada de igualdade na hora de decidir, nada de braço forte na sedentária proposta desferida pelo ministro da educação Mendonça Filho, que fez da caneta um instrumento de amputação, desfigurando conceitos de formação social perante da escolarização.
As quadras das escolas, espaços de confraternizações e aprendizagens, foram condenadas ao desuso, ao sucateamento. Antes a promessa de socialização pelo esporte, agora um vácuo existencial. Da noite para o dia os professores de educação física, portando horas de estudos e experiências, tornaram-se especialistas em atividades obsoletas. A saúde e o conhecimento sobre o corpo foram negligenciados. O descaso com os interesses dos estudantes é a essência da reforma educacional apresentada pelo governo Michel Temer.
O maior “legado” do bicentenário da Missão Artística Francesa: A exclusão do ensino de artes da grade curricular do ensino médio. “És belo, és forte, impávido colosso, e o teu futuro espelha essa grandeza” Meu hino meu mito! Como identificar o belo sem a presença das artes? Que futuro espelhar sem representatividade artística? A arte é ideia materializada, uma visão para além do apresentado aos olhos. Sem as artes, somos cegos intelectuais.
Em 1816, a “Missão Artística Francesa” registrou pelas artes um Brasil com as faces da Coroa Portuguesa. Instalada desde 1808 em terras sul-americanas, a Família Real de Portugal fez da arte um instrumento de divulgação e propaganda, com o propósito de legitimar sua permanência às margens do atlântico sul. Após duzentos anos, os registros históricos e artísticos estão expostos no Museu Chácara do Céu. Mas no país que nega aos seus jovens o conhecimento sobre as artes, dispensa convite aos festejos de dois séculos das ideias materializadas.
O maior “legado” do cântico das panelas: A exclusão do pensamento filosófico e sociológico da grade curricular do ensino médio. “Mas se ergues da justiça à clava forte, verás que um filho teu não foge à luta, nem teme quem te adora a própria morte”. Meu hino meu mito! Oh filosofia, o que é justiça? Em qual contexto social a morte não é temor? O conhecimento nasce no questionamento e formulação de novas perguntas. As respostas prontas não proporcionam saber absoluto ou verdades inalteráveis, são apenas palpites!
Uma sociedade é moldada a partir da maneira na qual produz seus bens, sendo a educação no Brasil um afunilamento de possibilidades e coveiro de perspectivas. A reforma desastrosa na área educacional demonstra o projeto de nação que está sendo implementado: “no final, você é apenas outro tijolo no muro”.
Daniel Carlos Clemente
Professor de História

domingo, 25 de setembro de 2016

POR REDAÇÃO


Primeira edição brasileira do Atlas da Carne será lançada em 29/9, em SP. Obra traz fatos, números e gráficos sobre consequências do abate e consumo de animais. Também sugerem alternativas – e não apenas para vegetarianos.



Em São Paulo, quinta-feira, 29/9, das 18 às 22h
No Ateliê do Gervásio (redação de Outras Palavras)
Rua Conselheiro Ramalho, 945 – Bixiga – Metrô São Joaquim ou Brigadeiro
Inscrições por e-mail: info@br.boell.org
Elaborado por pesquisadores do Brasil, Chile, México e da Alemanha, o Atlas da carne – fatos e números sobre os animais que comemos propõe dezenas de perguntas  inquietantes. Você sabia que a produção de carne agrava as desigualdades globais? E que está relacionada ao desmatamento da Amazônia? A publicação mapeia a produção industrial de carne no mundo e como ela atinge recursos hídricos e solos, influencia as mudanças climáticas e as relações sociais. O lançamento acontece na quinta-feira, dia 29 de setembro, no Espacio 945, localizado na Rua Conselheiro Ramalho, 945 – Bixiga – São Paulo (SP).
O Atlas também registra como a criação animal em escala industrial traz consequências como a fome, já que a produção intensiva fica sempre em primeiro plano, em detrimento das necessidades nutricionais de cada país. O cercamento de terras para esse objetivo também causa o deslocamento de pequenos produtores, intensificando problemas sociais. A perda de biodiversidade também é outra grave consequência desse avanço sobre as terras. O Atlas, portanto, indica esses e outros impactos do consumo de carne, seja ela bovina, suína, de aves e de outros tipos como búfalos e ovelhas.
A publicação busca disseminar o máximo de informação quanto aos efeitos da produção de carne e às alternativas a esse modelo predador. Segundo o Atlas, se o consumo de carne continuar crescendo, em 2050 os agricultores e agricultoras terão que produzir 150 milhões de toneladas extra de carne, agravando os problemas. O Atlas da Carne estimula, assim, reflexões sobre como implementar uma pecuária “ecológica, social e ética” como contraponto ao agronegócio nos Estados Unidos, na União Europeia e na América Latina. A publicação traz alternativas ao atual modelo, como a de produzir e consumir a carne localmente, evitando o transporte por milhares de quilômetros. Quer, assim, mostrar ao consumidor de carne toda a cadeia de produção.
No Brasil, onde a crise hídrica já bateu à porta, para cada quilo de carne gastam-se 15 mil litros de água. E a criação intensiva, visando à exportação, leva ao uso de fármacos para erradicar doenças e acelerar a engorda. A contaminação do solo e da água, entre outras, são as consequências. A despeito disso, a demanda global por carne aumenta, mais rapidamente nos países emergentes e de forma cadenciada nos Estados Unidos e na Europa.
O Atlas está em sua terceira edição na Alemanha e já foi publicado em espanhol, inglês e francês. O Brasil ilustra bem a cadeia de produção, pois é um dos maiores produtores de soja do mundo, grão utilizado sobretudo como ração animal. Ao consumir a carne, o cidadão ingere também agrotóxico, usado no cultivo desse defensivo agrícola. A sanha por terra de produtores de soja e outros levam, muitas vezes, à grilagem, à expulsão de pequenos agricultores e a assassinatos de líderes camponeses e indígenas no Brasil. A produção da soja também se desdobra em desmatamento na Amazônia, visto, em maior escala, no Cerrado e no Pantanal, que sofrem também com o avanço das áreas de pastagens, pondo em risco importantes biomas. A pecuária intensiva gera quase um terço dos gases de efeito estufa em nível global.
 Lançamento: O lançamento reunirá André Campos, jornalista da ONG Repórter Brasil; Letícia Tura, diretora da Ong FASE; Maureen Santos, coordenadora do programa de Justiça Socioambiental da Fundação e organizadora da versão brasileira do Atlas; e o jornalista e blogueiro Leonardo Sakamoto que fará a moderação. Na ocasião também será lançado o livro Cadeia industrial da Carne – Compartilhando ideias e estratégias sobre o enfrentamento do complexo industrial do complexo industrial global da carne da FASE, resultado da troca de ideias de um encontro sobre a temática. http://www.outraspalavras.net/




POR 
A partir do colapso, um novo campo popular precisa ser reconstruído. Desprivatizar a política e reinventar a democracia são objetivos centrais. Mas como?

Por Gonzalo Berrón
Desprivatizar a Democracia – Debate presencial sobre o tema

Duas conjunturas no Brasil nos convocam a falar sobre democracia: o golpe branco à presidenta Dilma Rousseff e ao projeto político expresso por ela; e a iminência, nesse contexto, de um processo de eleições locais. A essa conjuntura nós acrescentamos um fenômeno contemporâneo que contribui para a perversão da democracia e a mergulha nessa crise atual: a sua privatização. Antes de retomar os primeiros dois elementos da conjuntura, nos ateremos brevemente nesse último fenômeno.
Consideramos a democracia o mais comum dos bens comuns das sociedades modernas. É por meio do seu exercício que as pessoas constroem a vontade coletiva e a visão do que é o bem comum, ou o interesse geral da comunidade em que habitam. Mas a forma pela qual a democracia é exercida hoje facilita a sua captura por interesses particulares, especialmente – mas não apenas – pelos interesses econômicos. Essa captura, que se realiza de diversas formas, acaba transformando-a em um mecanismo “privado”, cuja consequência é o fenômeno da “privatização da democracia”.
A democracia, assim, em vez de promover o bem comum, passa a gerar leis, normas, e todo tipo de decisões públicas que beneficiem os interesses privados. No contexto das nossas economias de mercado, os atores econômicos possuem capacidade extra de privatizar os mecanismos da democracia (a começar pelas eleições, mas passando também pela influência legislativa, jurídica e executiva). Essa capacidade extra é derivada do fato de que as campanhas políticas são, em grande parte, deixadas nas mãos da concorrência quase selvagem dos diversos candidatos às vagas públicas. No “mercado” da política, os mais competitivos são aqueles que podem mobilizar mais recursos econômicos. Não é que o projeto e/ou as habilidades retóricas ou carisma não importem, mas sim que essas qualidades podem ser neutralizadas – ou esmagadas – por máquinas publicitárias ou exércitos de militantes mercenários invadindo os espaços de disputa corpo-a-corpo ou as redes sociais, hoje tão utilizadas na contenda política pública e eleitoral.
O que é certo é que o resultado da “democracia privatizada” é desolador para a sociedade, em particular, é claro, para os setores que menos possuem, pois esses têm menos chances de colocar seus candidatos “pobres” nas arenas custosas das campanhas eleitorais. Quem é eleito? São eleitos os candidatos ricos – que podem ganhar porque podem custear uma campanha por conta própria; ou os candidatos apoiados pelos ricos; ou os candidatos que fazem acordos com empresas ou pessoas que podem bancar a campanha. Uma situação adicional que não altera em nada o raciocínio, mas, pelo contrário, o reafirma, é a de candidatos que “investem” e/ou se endividam para concorrer nas eleições. De um jeito ou de outro, e com algumas diferenças do conceito apresentado por Max Weber no começo do século 201, a democracia se torna uma “plutocracia”, ou seja, um governo dos ricos, ou dos seus representantes.
Em todos esses casos, o que o sistema democrático gera é de uma perversidade estarrecedora: gestores públicos que devem favores ou dinheiro e cuja gestão pública estará orientada ou, no mínimo, condicionada por essa realidade. Gestores públicos que vão atuar para pagar a campanha passada e ganhar favores para a futura. Gestores públicos ricos que, sem estar endividados, provavelmente governarão com a visão dos poderosos e dos que têm, e não dos que necessitam. Corrupção e favores de todo tipo são o ingrediente final desse coquetel explosivo que configura a privatização da democracia contemporânea.
O Brasil é um exemplo perfeito do que estamos falando. Não precisamos citar casos específicos, mas sim definir o futuro que queremos para a nossa democracia, e aqui retomamos a abertura dessa coluna. O coquetel “golpe” + “privatização” tem jogado o interesse e a confiança das pessoas no sistema democrático para o último canto de suas almas. O problema é que o sistema democrático atual promove a eleição desses políticos que, “privatizados”, se movimentam pelo interesse particular, não geral. O governo do PT, ao ser conivente com essas práticas, perdeu a moral para explicar a quase impossível harmonia entre o fazer para todos e o fazer para se manter no Estado, graças ao Estado.
A proibição das doações empresariais de campanha representa alguma melhoria, mas não transforma a situação de forma radical. O rico ainda tem mais chances de concorrer, os doadores individuais ricos têm mais chances de influenciar ou propor os seus próprios candidatos, e nada impede que um candidato se endivide para ser competitivo na eleição…
No nosso entendimento, e aqui chegamos por fim às eleições locais, temos agora a primeira oportunidade depois do golpe de lançar o debate sobre a democracia que queremos sem nenhum tipo de compromisso “de governo”: pensar a democracia que queremos e como articular essas vontades e ideias que se constroem como filhas da nossa realidade e das nossas lutas, e que farão parte dos ideais e propostas do campo popular que começa a ser construído – e reconstruído – a partir do colapso provocado pelo golpe. Valorizar a democracia hoje, voltar a dotá-la de sentido emancipador, só será possível se conseguimos “desprivatizá-la”.
Se nas nossas sociedades modernas a democracia é o mais comum dos bens comuns, não pode ser largada às mãos do mercado. Os efeitos nós já vimos quais são. Não adianta ter uma Justiça Eleitoral que funcione como “agência reguladora” do mercado político, encarregada da tramitação dos comícios e de impor algumas regras à concorrência entre os candidatos, que não conseguem evitar – e talvez até promovam – as perversões de que falamos acima.
Nós achamos que a noção de bem comum demanda da sociedade uma abordagem diferente, que considere os mecanismos “competitivos” da eleição como sendo inteiramente públicos, e não sujeitos às possibilidades irarias dos competidores. Um sistema de eleições entendido como “serviço público” – ou seja, o serviço de escolha das pessoas que vão gerir a coisa pública – tem que ser “universal”, organizado e financiado pelo Estado. As eleições não deixam de ser competitivas, elas o são em termos de projetos, propostas, identidade, simpatia ou habilidades retóricas, mas essencialmente igualitárias, pois todos/as terão possibilidade de concorrer. Nos tempos das comunicações eletrônicas, isso não parece tão complexo.
Ao mesmo tempo, conceber a democracia como um comum implica também um movimento “desde abajo”. Sem que a sociedade se aproprie do que é de todos/as, sem que radicalizemos e reinventemos a participação, não haverá forma de os cidadãos se apropriarem da gestão da coisa pública.

Começar a construir formas de “desprivatização” da democracia no âmbito das cidades, portanto, é a primeira tarefa que se apresenta aos candidatos que almejam representar a renovação do campo popular. -  http://outraspalavras.net/brasil/

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Mito Do Uso Seguro De Agrotóxicos, Artigo De Roberto Naime



[EcoDebate] Any Cometti noticia que a Campanha Contra os Agrotóxicos divulgou uma pesquisa que comprova a inviabilidade do uso seguro de agrotóxicos. A dissertação de mestrado do pesquisador Pedro Henrique de Abreu conclui claramente que ?não existe viabilidade de cumprimento das inúmeras e complexas medidas de ‘uso seguro’ de agrotóxicos no contexto socioeconômico destes trabalhadores rurais?.
O trabalho foi aprovado no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)
A pesquisa foi feita no município de Lavras (MG), onde foram visitadas 81 unidades de produção familiar em 19 comunidades. Procurou-se verificar a viabilidade do cumprimento dos manuais de segurança da indústria química e do Estado na agricultura familiar.
Durante a pesquisa, foi possível constatar que a aquisição dos agrotóxicos é feita sem perícia técnica e a receita é fornecida por funcionários das lojas, embora exista o receituário agronômico, sem que os agricultores recebam instruções na hora da compra.
O transporte dos produtos tóxicos é feito nos veículos convencionais, que não atendem aos requerimentos de segurança. Os agricultores também não recebem os documentos de segurança necessários para a operação.
Essas constatações derrubam o mito de que existe um possível uso seguro de agrotóxicos. O pesquisador constatou ainda que o armazenamento dos produtos nas propriedades rurais é inadequado e que o tamanho das terras impede que seja respeitada a distância segura entre o local das aplicações e as casas e fontes de água.
A lavagem dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI), usados na aplicação dos agrotóxicos, também é inadequada, sendo comparada a uma atividade doméstica comum e realizada sem que qualquer cuidado.
Diversas pesquisas anteriores já alertaram para o perigo do contato e do uso de agrotóxicos, tanto para aqueles que o manuseiam quanto para quem consome o alimento contaminado.
A Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), instituição referência em pesquisas no setor da saúde no Brasil reitera o perigo ao qual estão expostos trabalhadores e moradores de áreas rurais, trabalhadores das campanhas de saúde pública e de empresas de desinsetização e populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas, extremamente vulneráveis.
Os riscos, perigos e danos provocados à saúde pelas exposições agudas e crônicas dessas populações aos agrotóxicos são incontestáveis, segundo a instituição, com base na literatura científica internacional.
No dossiê da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), se apontou que dos 50 produtos mais utilizados nas lavouras brasileiras, 22 são proibidos na União Europeia, o que faz com que o país seja o maior consumidor de agrotóxicos já banidos em outros locais do mundo, de acordo com a entidade.
Estudos publicados por pesquisadores do País comprovam que a exposição prolongada aos agrotóxicos causa ataques ao sistema nervoso, ao sistema imunológico, má formações, atinge a fertilidade e possui efeitos cancerígenos.
De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), órgão responsável por liberar tais produtos no país, o mercado brasileiro de agrotóxicos cresceu 190% nos últimos 10 anos, um ritmo muito mais acentuado do que o do mercado mundial, que foi de 93% no mesmo período.
Desde 2008, o Brasil é campeão global no uso de agrotóxicos e atualmente concentra cerca de 20% do uso mundial. O Espírito Santo, que já foi campeão brasileiro, é o terceiro da federação que mais faz uso de agrotóxicos.
Não faz sentido exercer qualquer condenação prévia e apriorística da biotecnologia ou de qualquer substância química. Qualquer inovação tecnológica teve como estimulação, os benefícios que podem ser gerados.
Logo todos os procedimentos merecem isenção e avaliações em cada caso, e não condenações gerais de qualquer natureza, que respondam a anseios dogmáticos ou políticos.
Conforme já se referiu, mesmo que não se apregoe qualquer restrição às evoluções científicas que inegavelmente são representadas por incrementos na transgenia ou por aprimoramentos de moléculas na indústria química, não custa nada admoestar a todas as partes interessadas que é preciso ter um pouco de humildade.
Mecanismos de proteção que podem até interferir na seleção natural, são temerários, sem compreender todas as relações implícitas ou explícitas, e não lineares ou cartesianas da homeostase dos ecossistemas.
É um pouco pretensioso na atual fase de conhecimentos da civilização humana, implementar estes incrementos, sem considerar os princípios de precaução e sem mobilizar tentativas mais sistêmicas e holísticas de se apropriar da realidade.
Referências:

Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.
Sugestão de leitura: Celebração da vida [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.

in EcoDebate, 20/09/2016
"Mito do uso seguro de agrotóxicos, artigo de Roberto Naime," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/09/2016,https://www.ecodebate.com.br/2016/09/20/mito-do-uso-seguro-de-agrotoxicos-artigo-de-roberto-naime/.

[CC BY-NC-SA 3.0][ O conteúdo da EcoDebate pode ser copiado, reproduzido e/ou distribuído, desde que seja dado crédito ao autor, à Ecodebate e, se for o caso, à fonte primária da informação ]
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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Arquiteta Desenvolve Protótipo De Vaso Sanitário Que Não Utiliza ÁguaModelo criado pela arquiteta utiliza micro-ondas para desidratar e transformar os dejetos em pó estéril, com testes bem sucedidos



Uma descarga despeja em média de 5 a 15 litros de água no vaso sanitário. Algo em torno de 40 litros por pessoa diariamente, e o equivalente a mais de mil litros por ano. Se pensarmos que se trata de água limpa e tratada, descendo esgoto abaixo, isso significa o desperdício de um bem natural que a cada dia se torna mais escasso e valioso. Em busca de solução, até o bilionário Bill Gates já instituiu um concurso internacional sobre o tema. Entre nós, alguns especialistas se empenham em estudar saídas para o problema. Entre eles, a arquiteta Marta Joffily de Alencar, que, com recursos do programa de Apoio ao Desenvolvimento de Modelos de Inovação Tecnológica e Social, da Faperj, está desenvolvendo o protótipo de um vaso sanitário que, no lugar de água, faz uso de micro-ondas para desidratar e transformar os dejetos em pó estéril. Os testes realizados até agora têm sido bem-sucedidos. Como explica Marta, a ideia surgiu a partir de sua própria experiência como arquiteta, alguém que trabalhou muito tempo com planejamento urbano e habitação popular. “Habituados a procurar soluções para problemas de saneamento, chegamos ao vaso sanitário sem consumo de água, o Vassa, sigla pela qual o estamos chamando, fala.  Mas como funcionaria um vaso assim? Marta responde com entusiasmo. “Feito com material de superfície refratária, a cada uso, os dejetos caem em um recipiente. Basta fechar a tampa do vaso e acionar o micro-ondas.” Por uma questão de segurança, o sistema elétrico só funciona quando o vaso estiver hermeticamente fechado. Só então, as micro-ondas atuam sobre os dejetos, que são desidratados e reduzidos a pó. “No volume das fezes, 80% são água. Na urina, a água corresponde a quase 100%. Uma vez desidratados, o que resta é uma pequenina quantidade de resíduo em pó. Que nada mais é do que adubo natural. No caso da urina, esse adubo contém altos teores de fósforo e nitrogênio, que o tornam ainda mais valorizado”, explica a pesquisadora. Para uma família de quatro pessoas, basta esvaziar o recipiente uma vez por semana. Para alguém que more sozinho, esse esvaziamento pode ser feito apenas uma vez por mês. Analisando em laboratório esse pó, Marta pôde constatar que esse pó é estéril e, portanto, todos os possíveis patógenos que pudesse conter foram eliminados no processo. “Isso mostra a importância do emprego desse sistema em hospitais. Seria uma forma de se reduzir drasticamente o esgoto hospitalar”, diz.
Vapores e odores são contidos e filtrados no sistema. Para isso, filtros de carbono são usados para reter o mercaptano, gás responsável pelo odor, para que não haja nenhuma emissão para o ambiente. “O mercaptano é o responsável pelo cheiro ruim das fezes, uma mistura de gases que inclui o sulfídrico. Uma vez filtrados, os odores retidos nos filtros se condensam em vapores que depois voltam ao estado líquido. O sistema aquecido processa a limpeza”, explica. Para Marta, empenhada na construção do protótipo, com ele, não só se poderá aperfeiçoar o funcionamento do Vassa, mas também confirmar quais são os gases emitidos pelas fezes e retidos no sistema. Será também o primeiro passo para sua produção em escala. “Será fundamental para que possamos recolher, filtrar e analisar a presença de gases ainda não estudados”, acrescenta a pesquisadora.
O custo de um vaso como esse sai um pouco mais caro. Considerando que um vaso sanitário comum, sem as ligações, sai em torno de R$ 200, o Vassa custaria cerca de R$ 500. Em compensação, se pensarmos que o preço do encanamento e ligação à rede de esgoto sairia a um valor final de cerca de R$ 2 mil, constatamos que o Vassa sairia mais barato, já que continuaria custando R$ 500, uma vez que seu uso dispensa a ligação a uma rede de água e esgoto. “Sem contar que as redes de água e esgoto demandam um enorme custo operacional, uma vez que são impulsionadas por bombas, o que também significa um grande gasto de energia elétrica”, acrescenta a arquiteta. Ela explica ainda que, além disso, mais uma vez evita-se o enorme volume de água, usada para fazer com que os dejetos percorram, pela tubulação, a distância entre as residências e a unidade de tratamento de esgoto mais próxima. Num momento em que tanto se fala em privatização da Companhia Estadual de Água e Esgoto do Rio de Janeiro (Cedae), pensar em saídas alternativas se torna ainda mais oportuno. “É difícil manter o alto investimento necessário para a expansão e implantação sempre crescente de redes de saneamento que a demanda de grandes cidades como o Rio de Janeiro exige. Como o Vassa pode ser instalado casa a casa, uma vez que prescinde de ligações hidráulicas, esse custo não existe”, argumenta Marta. Isso também o torna adequado a ser instalado em comunidades de baixa renda, como favelas, e em cidades que não contem com rede de esgoto. “É uma demanda que pode ser suprida pontualmente, caso a caso. Mesmo a energia elétrica necessária para fazer funcionar o sistema não chega a onerar o usuário. Uma família de quatro pessoas, por exemplo, teria cerca de R$ 27 de acréscimo em sua conta de luz. Mas, por outro lado, sua conta de água seria bem reduzida. Na verdade, estamos falando de uma inovação disruptiva, ou seja, que inverte tudo o que conhecemos a respeito do assunto. Mas trata-se também uma alternativa simples, de caráter social indiscutível e essencialmente ecológica, que muito pode contribuir para os grandes problemas de saneamento básico que enfrentamos, principalmente em regiões menos desenvolvidas”, conclui.
Fonte: Jornal da Ciência/SBPC, com informações da FAPERJ

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Os Países Com As Maiores E A Menores Rendas Per Capita Em 2016, Artigo De José Eustáquio Diniz Alves


[EcoDebate] O gráfico acima mostra a lista dos 40 países com maior renda per capita em poder de paridade de compra (ppp). O Qatar fica em primeiro lugar pois é um país que tem muito petróleo e pouca gente. Com isto a renda per capita é muito alta e mais de duas vezes maior do que a renda per capita dos Estados Unidos (EUA).
Luxemburgo aparece em segundo lugar e Macau e Hong Kong (duas províncias da China), que são cidades-estado, aparecem no topo da lista com 3º e 12º lugares. Singapura fica em 4º lugar e ganha destaque especialmente porque era um país pobre que foi colônia inglesa, foi invadido pelo Japão e fazia parte da Malásia até 1965, mas iniciou uma rota de sucesso e conseguiu ser um dos países de maior renda do mundo e maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
Os tigres asiáticos, Taiwan e Coreia do Sul, são outros exemplos de sucesso. Taiwan é uma “província rebelde” da China, mas tem uma renda per capita 3 vezes maior do que a da China continental.
Da América Latina, Porto Rico e Trinidad e Tobago aparecem entre os 40 países com maior renda per capita. Mas Porto Rico é um país quebrado e com uma dívida monstruosa.
Provavelmente vai sair da lista dos mais riscos nos próximos anos. Trinidad e Tobago é um país pouco populoso e exportador de petróleo e também enfrenta dificuldades com a queda do preço dos combustíveis fósseis.
Mas estes dois países da América Latina e Caribe (ALC) estão muito melhor do que a Argentina que fica em 60º lugar e o Brasil que aparece em 86º lugar em uma lista de 191 países.
Entre os países mais pobres, com menos de US$ 2 mil estão principalmente os países da África Subsaariana, sendo República Centro-Africana, República do Congo, Burundi, Libéria, etc. O Haiti também está entre os países mais pobres do mundo, sendo o mais pobre da ALC.

 Como se nota nos dois gráficos apresentados, a diferença entre o pais com maior renda per capita (Qatar = US$ 130 mil) e o país com menor renda per capita (República Centro-Africana = US$ 660) é de quase 200 vezes.
O caminho para um mundo mais justo e com maior igualdade de renda e de condições de vida ainda está longe da realidade. Nas metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) a redução das desigualdades entre os países está colocada. Mas dificilmente o mundo terá um quadro mais promissor até 2030.
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, 09/09/2016
"Os países com as maiores e a menores rendas per capita em 2016, artigo de José Eustáquio Diniz Alves," in Portal EcoDebate, ISSN 2446-9394, 9/09/2016, https://www.ecodebate.com.br/2016/09/09/os-paises-com-as-maiores-e-a-menores-rendas-per-capita-em-2016-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/.

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