sábado, 21 de janeiro de 2017

POSSE DE TRUMP

Com apelos ao povo, às armas e a Deus (e com alguma repressão) termina a era Obama e começa a Trump

(TRUMP POSSESSION
With appeals to the people, to the arms and to God (and with some repression) ends the era Obama and begins to Trump)



POR http://www.esquerdadiario.com.br/
Leandro Lanfredi  -  Rio de Janeiro | @leandrolanfrdi


O discurso da posse de Trump continuou as ondas de choque no
 establishment midiático americano. Comentaristas irritados com o populismo de suas palavras nas redes de TV. Não só o establishment midiático engoliu mal as palavras do presidente eleito. As câmaras mostravam Obama desolado, ou no mínimo incomodado com as palavras de Trump. Um discurso de posse que coroa um dia com manifestações e repressão, de um país que não se unifica com a posse de seu 45o presidente.
Quase um terço dos deputados democratas boicotaram a cerimônia, mostrando a falta de normalidade institucional no que está passando nos EUA. Sanders, no entanto, estava presente. O candidato democrata “anti-establishment” ao lado de um veterano republicano tradicional, McCain, mostra como Trump levou muito mais longe que Sanders a ruptura com o “tradicional”. Sequer um protocolar apelo aos votantes de Hillary, Trump fez. Seu apelo foi diretamente ao povo contra os políticos. Expressando em vivas cores a crise de representatividade e como esse agressivo bilionário busca construir sua popularidade de novas maneiras.
Sanders com McCain na posse
A ruptura discursiva de Obama a Trump é marcante. O novo presidente começou apelando a um público eleitor religioso e com raiva da política tradicional, afirmando “Essa não é uma mera transferência de poder de uma administração a outra, de um partido a outro, mas de Washington, para vocês, o povo.” Toda uma retórica do povo contra os políticos e a elite, o establishment, flamejante de um patriotismo isolacionista, das fábricas americanas, dos empregos americanos, das fronteiras americanas.
Repetidas referências às fronteiras, forças armadas e empregos expressavam uma continuidade do essencial de suas promessas eleitorais, sem arroubos de xingamentos, mas em sua essência. Também continuaram a reacionária cerimônia religiosa que ele escolheu para o dia, com um pastor conhecido por seus discursos de ódio para discursas sobre os “muros sagrados de Jerusalém” e um “líder escolhido por Deus”.
As promessas de emprego, riqueza, e segurança (armada) reafirmam suas posições a um setor do eleitorado que o escolheu, no entanto, até o momento não lhe garantem uma hegemonia. Em meio aos discursos triunfais os patriotas de cassetete de Trump reprimiam manifestantes contra Trump. Cidades por todos os EUA e mundo já tiveram ou terão manifestações. Amanha se espera uma grande manifestação de mulheres.
Aqueles que esperavam um Trump mais suave não encontram isso no discurso. De agora em diante se verá nas ações se poderá cumprir tantas promessas de emprego e riqueza, e como poderá casar isso com isenções de impostos aos ricos (parte do programa não mencionada no discurso) e um agressivo discurso do “nosso Deus” que “nos protegerá” junto a “nossos homens e mulheres das Forças Armadas”.
Começa a era Trump, com amor às fronteiras, com promessa de fazer a “América Grande”, com promessas de apelar ao povo contra o establishment. A posse, com os cassetetes e discurso de apelo ao povo contra os políticos aponta como os elementos de crise nos EUA não se apaziguarão tão facilmente, pelo contrário.
SESPA - tranquiliza população sobre a febre amarela no Pará

A Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) informa que não foram registrados casos de febre amarela no Estado em 2017 e descarta qualquer situação alarmante, como vem ocorrendo em Minas Gerais (MG). Logo, não há mortes a serem apuradas e tampouco pessoas internadas com sintomas da doença. Só no ano passado, 71.195 pessoas foram vacinadas no Pará contra a doença. Em 2015, o quantitativo foi de 80.230 imunizados. Dos 144 municípios paraenses, 129 estão indicados pelo Ministério da Saúde (MS) para vacinação contra a febre amarela.
Segundo levantamento técnico do Grupo de Trabalho de Zoonoses, da Diretoria de Vigilância em Saúde da Sespa, entre 2010 e 2016 foram confirmados cinco casos de febre amarela no Pará, sendo que três evoluíram para óbito e nenhum dos cinco pacientes, todos homens e com 18 anos em média, estava com o calendário de vacina em dia.  Os registros foram dos municípios de Breves e em Tailândia, ambos com óbito em 2010; Acará em 2013, Monte Alegre em 2014, Afuá em 2015 e em Gurupá, no ano passado, com morte.
A título de recomendação, a Sespa orienta o mesmo que o Ministério da Saúde (MS) vem estimulando em todos os Estados: a de que toda pessoa que reside ou vai viajar para regiões silvestres, rurais ou de mata, que são áreas com recomendação da vacina contra febre amarela, deve se imunizar. Isso ocorre porque a transmissão da febre amarela é tida como possível na maioria das regiões do Brasil entre dezembro e maio.
Sendo assim, a vacina contra a febre amarela é ofertada no Calendário Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) e, no Pará, pode ser encontrada em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS), que é mantida pelas prefeituras. As doses podem ser aplicadas a partir dos nove meses de idade, em residentes e viajantes a áreas endêmicas ou, a partir de seis meses de idade, em situações de surto da doença.
Por sua vez, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que apenas uma dose da vacina já é suficiente para a proteção por toda a vida. No entanto e devido ao atual cenário em Minas Gerais, o MS definiu a manutenção de duas doses da vacina no calendário oficial, sendo uma dose aos noves meses de idade com reforço aos quatro anos. Para pessoas de 2 a 59 anos, a recomendação é de duas doses.
As vacinas não são recomendadas para grávidas, crianças com menos de seis meses, alérgicos a ovos e pessoas que vivem em áreas sem registro do vírus. Nos casos de pessoas com mais de 60 anos e pacientes com imunodeficiência, a administração da vacina deve ser condicionada à avaliação médica.
Ainda segundo o Departamento de Informática do SUS (DataSUS), mediante nota técnica da Sespa, a cobertura vacinal contra febre amarela em menores de 1 ano no Pará em 2010 se manteve dentro do padrão recomendado pelo Programa Nacional de Imunização (PNI), que é de 100%.  Contudo, nos anos seguintes, observou-se uma redução dos percentuais de alcance, chegando a 87% em 2016. Para que esse parâmetro volte a ser ideal, a Sespa recomenda que os municípios se empenhem mais em estimular a população a se vacinar contra a doença.
Sintomas
Os efeitos da febre amarela sobre o corpo incluem febre, calafrios, dor de cabeça, dores nas costas, dores no corpo em geral, náuseas e vômitos, fadiga e fraqueza. Em casos graves, a pessoa pode desenvolver febre alta, icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos), hemorragia e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos.
Tão logo surgindo esses sintomas, a Sespa recomenda que a pessoa procure especialista médico na Unidade de saúde mais próxima e informar sobre qualquer viagem para áreas de risco nos 15 dias anteriores ao início dos sintomas.
Segundo informações da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do MS, o vírus da febre amarela se mantém naturalmente num ciclo silvestre de transmissão, que envolve primatas não humanos (hospedeiros animais) e mosquitos silvestres. Há 17 anos, os órgãos de saúde pública realizam a vigilância de epizootias (doenças que atacam animais) desde 1999, com o objetivo de antecipar a ocorrência da doença por meio da vacinação das pessoas como forma de evitar urbanização da doença. (Com informações do Ministério da Saúde).
Municípios paraenses com recomendação para vacinação contra febre amarela
Abaetetuba, Abel Figueiredo, Acará, Afuá, Água Azul do Norte, Alenquer, Almeirim, Altamira, Anajás, Ananindeua, Anapu, Augusto Corrêa, Aurora do Pará, Bagre, Baião, Bannach, Barcarena, Belém, Belterra, Benevides, Bom Jesus do Tocantins, Bonito, Bragança, Brasil Novo, Brejo Grande do Araguaia, Breu Branco, Breves, Cachoeira do Arari, Cachoeira do Piriá, Canaã dos Carajás, Capanema, Capitão Poço, Castanhal, Chaves, Colares, Conceição do Araguaia, Concórdia do Pará, Cumaru do Norte, Curionópolis, Curralinho, Curuá, Curuçá, Dom Eliseu, Eldorado dos Carajás, Faro, Floresta do Araguaia, Garrafão do Norte, Goianésia do Pará, Gurupá, Igarapé-Açu, Igarapé-Miri, Ipixuna do Pará, Irituia, Itaituba, Itupiranga, Jacundá, Juruti, Limoeiro do Ajuru, Magalhães Barata, Marabá, Marapanim, Marituba, Medicilândia, Melgaço, Mocajuba, Moju, Monte Alegre, Muaná, Nova Esperança do Piriá, Nova Ipixuna, Nova Timboteua, Novo Progresso, Novo Repartimento, Óbidos, Oeiras do Pará, Oriximiná, Ourém, Ourilândia do Norte, Palestina do Pará, Paragominas, Parauapebas, Peixe-Boi, Piçarra, Placas, Ponta de Pedras, Porto de Moz, Prainha, Primavera, Quatipuru, Redenção, Rio Maria, Rondon do Pará, Rurópolis, Salinópolis, Salvaterra, Santa Bárbara do Pará, Santa Cruz do Arari, Santa Izabel do Pará, Santa Luzia do Pará, Santa Maria das Barreiras, Santa Maria do Pará, Santana do Araguaia, Santarém, Santarém Novo, Santo Antônio do Tauá, São Caetano de Odivelas, São Domingos do Araguaia, São Félix do Xingu, São Francisco do Pará, São Geraldo do Araguaia, São João da Ponta, São João do Araguaia, São Miguel do Guamá, São Sebastião da Boa Vista, Sapucaia, Soure, Tailândia, Terra Alta, Terra Santa, Tomé-Açu, Tracuateua, Trairão, Tucumã, Tucuruí, Ulianópolis, Uruará, Viseu, Vitória do Xingu e Xinguara.
Confira no link ainda as salas de vacinação disponíveis em Belém e nos distritos: 



Radialista denuncia ameaça de morte em Sergipe

Radialista denuncia ameaça de morte em Sergipe: Radialista denuncia ameaça de morte em Sergipe

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Nasce uma nova liderança? E, já é perseguida?
Coordenador do MTST, Guilherme Boulos é liberado após ser detido pela PM
https://noticias.uol.com.br

( UOL) Boulos, do MTST, detido no 49º DP (São Mateus)
O coordenador nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Guilherme Boulos, foi liberado na noite desta terça (17) após ter sido detido pela manhã, quando dava apoio às cerca de 700 famílias que foram alvo de uma reintegração de posse de um terreno em São Mateus, na zona leste da capital paulista.
No momento, policiais militares prenderam Boulos por "incitação a violência e desobediência". Segundo Felipe Vono, advogado do MTST, Boulos assinou termo circunstanciado sob acusação de resistência. De acordo com o Código Penal, o crime se caracteriza por "opor-se à execução de ato legal, mediante violência ou ameaça a funcionário competente para executá-lo ou a quem lhe esteja prestando auxílio", com pena de dois meses a dois anos de prisão.
"Fui indiciado pela polícia de São Paulo pelo crime de resistência. Para mim, resistência não é crime. Crime é despejar 700 famílias sem ter alternativa. Resistência é uma ação legítima das pessoas contra barbaridades como esta", afirmou Boulos à imprensa logo após ser liberado do 49º DP (distrito policial), em São Mateus.
O coordenador nacional do MTST voltou a dizer que sua prisão foi "política, com intuito de intimidar o MTST e a luta dos movimentos populares" e chamou sua detenção de gesto "fascista, ilegal, abusivo".
O advogado do MTST disse esperar que o inquérito seja arquivado por falta de provas.
"Em nenhum momento Boulos ameaçou alguém para impedir o cumprimento de uma ordem legal. Ele não incitou ninguém a descumprir a ordem judicial", afirmou Vono. 

Moradores hostilizaram PMs, diz corporação

Mais cedo, em nota, a Polícia Militar informou que atendeu o pedido para apoiar os oficiais de Justiça no cumprimento da reintegração de posse nesta terça.
"Após tentativa de negociação dos oficiais com as famílias, sem acordo, os moradores resistiram hostilizando os PMs, arremessando pedras, tijolos, rojões e montando três barricadas com fogo. Um policial militar ficou ferido de leve por uma bomba caseira e duas viaturas do Choque foram danificadas", descreveu.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo repetiu --também em nota-- as informações repassadas pela Polícia Militar e destacou que a PM agiu para garantir o cumprimento da ordem judicial. Além disso, afirmou que Boulos e José Ferreira Lima, integrante do MTST, foram detidos sob acusação também de participar de ataques com rojão contra a PM.
"O secretário vai ter que se explicar, porque sequer os policiais que me prenderam colocaram no depoimento que eu teria atirado rojões. O secretário vai ter que dizer onde ele encontrou esses rojões e apresentar para a sociedade com transparência que faltou na nota que ele fez hoje", disse Boulos após ser liberado.
Segundo o advogado Vono, o coordenador do MTST atuou justamente "no sentido de evitar a violência que depois foi cometida pela PM".
O Ministério Público informou ter entrado, na semana passada, com pedido de suspensão da ação de reintegração de posse porque as famílias não foram cadastradas para outras áreas de destino. O pedido foi negado na segunda (16) pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Em julho do ano passado, o MP já tinha pedido o cadastramento das famílias, mas a Justiça não aceitou na época.

Lula e Dilma criticam prisão

Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT, publicaram notas em suas páginas no Facebook para criticar a prisão de Boulos.
"A luta para que todos tenham direito a uma moradia digna é parte da construção de um Brasil melhor e mais justo. É preciso muito diálogo, investimento em moradia e políticas públicas. Não é caso de polícia", declarou Lula.
"Os movimentos sociais devem ter garantidos a liberdade e os direitos sociais, claramente expressos na nossa Constituição cidadã, especialmente, o direito à livre manifestação", declarou. "Prender Guilherme Boulos, quando defendia um desfecho favorável às famílias da Vila Colonial em São Paulo, evidencia um forte retrocesso. Mostra a opção por um caminho que fere nossa democracia e criminaliza a defesa dos direitos sociais do nosso povo."
Políticos do PT, como o deputado estadual José Américo e os vereadores Eduardo Suplicy e Juliana Cardoso, além do deputado federal Ivan Valente (PSOL), estiveram na delegacia, em momentos distintos, para conversar com o delegado do caso e manifestar solidariedade aos detidos.

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Especialistas questionam validade das 10 medidas do governo para o caos prisional.

9.jan.2017 - Pessoas visitam sepulturas de presos vítimas de rebelião em presídio de Manaus, que deixou 56 mortos, boa parte decapitada

Com o número crescente de assassinatos em presídios pelo país, o governo do presidente Michel Temer (PMDB) já anunciou 10 medidas -- até o momento -- para conter o caos penitenciário.
O UOL ouviu especialistas do sistema prisional para discutir se as propostas trazem soluções efetivas contra as matanças e rebeliões que já resultaram na morte de 134 detentos nas duas primeiras semanas do ano. Apesar de elogiar algumas sugestões, como a permissão das Forças Armadas dentro das penitenciárias, eles questionaram outras soluções, como a criação de novos presídios e a formação de um comitê de discussão para a reforma do sistema.
Confira abaixo o que eles falaram sobre cada uma das 10 propostas.

1- Transferência de líderes de facções para presídios federais

Maurício Kuehne, ex-diretor geral do (Depen) Departamento Penitenciário Nacional, afirma que a medida é acertada, porque as unidades prisionais da Federação foram criadas justamente para colocar os "presos mais perigosos". "É preciso neutralizar a ação desses líderes de facções e retirá-los dos presídios estaduais", diz.
Já para Douglas Martins, ex-coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (DMF) do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a proposta é ineficiente e pode, inclusive, fortalecer a imagem dos líderes de facções. "Depois de um tempo, eles voltam para as prisões estaduais e lideram as rebeliões. Voltam com um patamar de respeito. Como alguém que fez um doutorado na Europa", avalia.

2- Recursos para sistema de bloqueio de celulares

O governo federal anunciou que R$ 150 milhões serão destinados a um projeto que bloqueará telefones celulares em 30% das penitenciárias.
A medida é considerada positiva pelos especialistas, diante da dificuldade de evitar a entrada dos aparelhos dos presídios. "É uma redução de danos, já que o sistema se mostrou incapaz de impedir o uso de celulares pelos presos", afirma Martins. 
O uso da tecnologia tem alto custo e, por isso, não deverá ser aplicado em todo sistema prisional, explica Kuehne, ex-diretor do Depen. Segundo ele, a eficácia da medida está ligada diretamente à classificação dos presidiários. "É preciso cumprir a Lei de Execução Penal que prevê a separação dos presos com atos graves e leves. O certo é botar esses bloqueadores só nos presídios onde estão os detentos com periculosidade acentuada."

3- Compra de 3 mil scanners corporais, ao menos 3 por prisão

De acordo com o Ministério da Justiça, R$ 80 milhões serão necessários para a compra dos aparelhos. Menos da metade das prisões brasileiras conta com a tecnologia.
"O scanner é uma tecnologia de ponta que faz muita falta nas unidades prisionais", opina o ex-diretor do Depen. Segundo Kuehne, os scanners fazem "praticamente uma radiografia do corpo humano" e podem impedir a entrada de armas nas prisões. 

A medida também é apoiada pelos especialistas porque põe fim às revistas vexatórias. "As mulheres poderiam se livrar desse método arcaico de revistas íntimas", diz Martins. 

The face of imperialism in the 21st century

POR 


Imagem: Diego Rivera, Sonho de uma tarde de domingo na avenida central (1947, detalhe)
Países ricos falam em “ajuda” mas capturam dos pobres 2 trilhões de dólares líquidos por ano. Juros e transferências via paraísos fiscais compõem a conta.por:Jason Hickel Tradução: Inês Castilho 


Há tempos circula uma convincente história sobre a relação entre países ricos e pobres. Diz a história que as nações ricas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) doam generosamente parte de sua riqueza para as nações mais pobres do Sul global, para ajudá-las a erradicar a pobreza e impulsioná-las na escada do desenvolvimento. Sim, durante o colonialismo as potências ocidentais podem ter enriquecido extraindo recursos naturais e trabalho escravo de suas colônias – mas isso tudo seria passado… Atualmente, elas doam mais de US$ 125 bilhões  (cerca de R$ 400 bilhões) por ano – uma sólida evidência de boa vontade.
Essa história é tão amplamente propagandeada pela indústria da assistência e pelos governos do mundo rico, que passamos a considerá-la como certa. Mas os fatos não são tão simples assim.
A organização Global Financial Integrity (GFI), que luta contra os fluxos financeiros ilegais e tem base nos EUA, e o Centre for Applied Research at the Norwegian School of Economics (Centro de Pesquisa Aplicada da Escola de Economia da Noruega) publicaram recentemente alguns dados fascinantes. Apuraram todos os recursos financeiros que são transferidos, a cada ano, entre os países ricos e os países pobres: não só ajuda, investimentos estrangeiros e fluxos comerciais (como fizeram os estudos anteriores), mas também transferências não-financeiras tais como cancelamento da dívida, transferências unilaterais tais como remessas de dinheiro por trabalhadores, e fuga de capitais clandestinos (falo mais sobre isso posteriormente). Que eu saiba, é a avaliação mais abrangente jamais realizada sobre transferências de recursos.
O que eles descobriram é que o fluxo de dinheiro que vai dos países ricos para os países pobres torna-se pálido, quando comparado ao fluxo que corre na direção contrária.
Em 2012, último ano em que os dados foram registrados, os países em desenvolvimento receberam um total de US$ 1,3 trilhões (R$ 4,19 trilhões), incluindo todo tipo de ajuda, investimentos e remessas do exterior. Naquele mesmo ano, contudo, cerca de US$ 3,3 trilhões (R$ 10,64 trilhões) vazaram para fora destes mesmos países. Em outras palavras, os países em desenvolvimento mandaram para o resto do mundo US$ 2 trilhões a mais do que receberam. Se olharmos todos os anos, desde 1980, esse escoamento chega ao impressionante total de US$ 16,3 trilhões (R$ 52,54 trilhões). É o quanto foi drenado do Sul global nas últimas décadas. Para dar uma noção dessa escala, US$ 16,3 trilhões é aproximadamente o PIB dos Estados Unidos.
Isso significa que a narrativa convencional do desenvolvimento tem seu lado sombrio. A ajuda está, efetivamente, correndo ao contrário. Países ricos não estão desenvolvendo países pobres; países pobres é que estão desenvolvendo os ricos.
Em que consistem esses grandes fluxos? Parte são pagamentos da dívida. Os países em desenvolvimento desembolsaram mais de US$ 4,2 trilhões (R$ 13,54 trilhões) só em pagamento de juros desde 1980 – em transferência de dinheiro direta aos grandes bancos em Nova York e Londres, numa escala que torna nanica a ajuda que eles receberam durante o mesmo período. Outra grande contribuição vem das rendas que estrangeiros têm com seus investimentos nos países em desenvolvimento e são repatriadas. Pense em todo o lucro que a British Petroleum extraiu das reservas de petróleo da Nigéria, por exemplo, ou que a Anglo-American retira das minas de ouro da África do Sul.
Mas, de longe, a maior parte do fluxo de dinheiro tem a ver com a fuga de capitais clandestinos – e geralmente ilícitos. O GFI calcula que países em desenvolvimento perderam, desde 1980, um total de US$ 13,4 trilhões (R$ 43,19 trilhões) com a evasão clandestina de capitais.
A maioria desses fluxos clandestinos acontece por meio do sistema internacional de comércio. Basicamente, corporações – tanto  estrangeiras quanto domésticas – informam preços falsos em suas faturas comerciais, de modo a enviar dinheiro de países em desenvolvimento para paraísos fiscais e jurisdições sigilosas, uma prática conhecida como “trade misinvoicing” (faturamento adulterado). O objetivo geralmente é a evasão fiscal, mas às vezes essa prática serve também para lavar dinheiro ou contornar o controle de capitais. Em 2012, os países em desenvolvimento perderam US$ 700 bilhões em razão do “trade misinvoicing”, que naquele ano superou em cinco vezes o recebimento de ajuda.
Empresas multinacionais também roubam dinheiro de países em desenvolvimento através da “same-invoice faking” (falsificação da mesma fatura), trocando lucros ilegalmente entre suas próprias subsidiárias, por meio da falsificação de preços das faturas comerciais nos dois lados. Por exemplo, uma subsidiária na Nigéria pode esquivar-se dos impostos locais transferindo dinheiro para uma subsidiária nas Ilhas Virgens Britânicas, onde a taxa de impostos é efetivamente zero e onde os fundos não podem ser rastreados.
O GFI não inclui o “same-invoice faking” em seus números totais por ele ser muito difícil de detectar, mas estima que seu valor chegue a outros US$ 700 bilhões (R$ 2,25 trilhões) anuais. E esses números cobrem apenas furto no comércio de bens. Se forem acrescidos ao mix os furtos por comércio de serviços, a evasão total de recursos líquidos sobe para US$ 3 trilhões (R$ 9,67 trilhões) anuais.
Isso é 24 vezes mais que o orçamento de ajuda. Em outras palavras, para cada US$ 1 de ajuda que recebem, os países em desenvolvimento perdem US$ 24 em saídas líquidas. Essa vazão os despoja de uma importante fonte de renda e finanças para o desenvolvimento. O relatório do GFI revela que as crescentes saídas levaram as taxas de crescimento econômico a declinar nos países em desenvolvimento, e as responsabiliza diretamente pela queda dos níveis de vida.
Quem deve ser responsabilizado por esse desastre? Considerando-se que a fuga de capitais ilegais significa tamanha parte do problema, esse é um bom ponto de partida. As empresas que mentem em suas faturas comerciais são claramente responsáveis; mas, por que razão é tão fácil para eles ficar impunes? No passado, as autoridades alfandegárias podiam deter transações que pareciam duvidosas, tornando quase impossível fraudar. Mas a OMC reclamou que isso tornava o comércio ineficiente, e desde 1994 os fiscais alfandegários receberam ordens de tomar os preços das faturas por seu valor de face, exceto em circunstâncias muito suspeitas, tornando difícil impedir as saídas ilícitas.
A fuga ilegal de capitais não seria possível sem os paraísos fiscais. E, quando se trata de paraísos fiscais, não é difícil identificar os culpados: há mais de 60 pelo mundo, a grande maioria controlada por meia dúzia de países ocidentais. Há paraísos fiscais europeus como Luxemburgo e Bélgica, e paraísos fiscais norte-americanos como Delaware e Manhattan. Mas, de longe, a maior rede de paraísos fiscais está centralizada em torno da cidade de Londres, que controla jurisdições sigilosas por todas as Dependências e Territórios Ultramarinhos da Coroa Britânica.
Em outras palavras, alguns dos países que gostam tanto de gabar-se de suas contribuições para ajuda exterior são os mesmos que possibilitam o furto em massa dos países em desenvolvimento.
A narrativa da ajuda começa a parecer um pouco ingênua quando levamos em conta esse fluxo reverso. Torna-se claro que ela apenas maquia a má distribuição de recursos pelo mundo. Leva a ver aqueles que se apropriam como “doadores”, recobrindo-os com uma espécie de superioridade moral. Impede aqueles que se importam com a pobreza global de entender o real funcionamento do sistema.

Os países pobres não precisam de caridade. Eles precisam de justiça. E justiça não é difícil de entregar. Poderíamos anular as dívidas excessivas dos países pobres, liberando-os para investir seu dinheiro em desenvolvimento ao invés de pagar juros de velhos empréstimos. Poderíamos fechar as jurisdições sigilosas e punir bancos e contadores que facilitem a evasão ilícita;. Poderíamos impor um tributo global sobre a renda das corporações para eliminar o incentivo ao deslocamento secreto do seu dinheiro em redor do mundo. Sabemos como resolver o problema. Mas fazê-lo iria contra os interesses de bancos e corporações poderosas, que extraem significativos benefícios materiais do sistema existente. A pergunta é: temos coragem?

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

COMO MELHORAR SUA PRONÚNCIA NO INGLÊS?



Políticas de “austeridade” ampliam concentração de riqueza. Oxfam denuncia: agora, oito homens já têm mais que a metade dos habitantes do planeta. Mas há alternativas
Por Oxfam | Imagem: Sara Distin
Estamos criando condições para recuperar o país e voltar a crescer, diz o presidente Michel Temer – e repetem os jornais – a cada medida adotada para reduzir o investimento social, eliminar direitos previdenciários, “simplificar” as exigências das leis trabalhistas e, supostamente, “equilibrar” as contas públicas. Exatamente como Temer agem, desde a crise de 2008, quase todos os governantes do mundo. “Austeridade”, “ajustes fiscais”, “apertar os cintos” tornaram-se conceitos dominantes no jargão politico e econômico da última década. Qual foi o resultado?
Um relatório que acaba de ser divulgado pela organização internacional Oxfam – voltada ao estudo e denúncia da desigualdade – revela. Tais políticas permitiram que apenas oito homens possum a mesma riqueza que os 3,6 bilhões de pessoas que compõem a metade mais pobre da humanidade. O documento Uma economia humana para os 99% mostra que a diferença entre ricos e pobres aumenta a cada edição do estudo, numa velocidade muito maior do que a prevista. Os 50% mais pobres da população mundial detêm menos de 0,25% da riqueza global líquida. Nesse grupo, cerca de 3 bilhões de pessoas vivem abaixo da “linha ética de pobreza” definida pela riqueza que permitiria que as pessoas tivessem uma expectativa de vida normal de pouco mais de 70 anos.
“O relatório detalha como os grandes negócios e os indivíduos que mais detêm a riqueza mundial estão se alimentando da crise econômica, pagando menos impostos, reduzindo salários e usando seu poder para influenciar a política em seus países”, afirma Katia Maia, diretora executiva da Oxfam no Brasil.
Os números da desigualdade foram extraídos do documento Credit Suisse Wealth Report 2016. (Veja link abaixo.) Segundo a organização, 1 em cada 10 pessoas no mundo sobrevive com menos de US $ 2 por dia. No outro extremo, a ONG prevê que o mundo produzirá seu primeiro trilhardário em apenas 25 anos. Sozinho, esse indivíduo deterá uma fortuna tão alta que, se ele quisesse gastá-la, seria necessário consumir US$ 1 milhão todos os dias, por 2.738 anos, para acabar com tamanha quantia em dinheiro. O discurso da Oxfam em Davos também mostrará que 7 de cada 10 pessoas vivem em países cuja taxa de desigualdade aumentou nos últimos 30 anos. “Entre 1988 e 2011, os rendimentos dos 10% mais pobres aumentaram em média apenas 65 dólares (US$ 3 por ano), enquanto os rendimentos dos 10% mais ricos cresceram uma média de 11.800 dólares – ou 182 vezes mais”, aponta o documento.
A desigualdade está mantendo milhões de pessoas na pobreza, fragmentando nossas sociedades e minando nossas democracias. É ultrajante que tão poucas pessoas detenham tanto enquanto tantas outras sofrem com a falta de acesso a serviços básicos, como saúde e educação”, reforça Katia Maia.
O relatório destaca ainda a situação das mulheres que, muitas vezes empregadas em cargos com menores salários, assumem uma quantidade desproporcional de tarefas em relação à remuneração recebida. O próprio relatório do Fórum Econômico Mundial (2016) sobre as disparidades de gênero estima que serão necessários 170 anos para que as mulheres recebam salários equivalentes aos dos homens. Segundo o texto, as mulheres ganham de 31 a 75% menos do que os homens no mundo.
A sonegação de impostos, o uso de paraísos fiscais e a influência política dos super-ricos para assegurar benefícios aos setores onde mantêm seus investimentos são outros destaques do documento da Oxfam.
A Oxfam é uma confederação internacional de 20 organizações que trabalham em mais de 90 países, incluindo o Brasil, com o intuito de construir um futuro livre das desigualdades e da injustiça causada pela pobreza. Uma das características centrais de seu estudo é a postura não-contemplativa. A organização está empenhada em buscar alternativas que permitam construir “uma economia para os 99%”. Eis, a seguir, algumas de suas propostas para tanto.
Uma Economia Humana para os 99%
Outras conclusões do Relatório da Oxfam (Davos, 2017)
  • Desde 2015, o 1% mais rico detinha mais riqueza que o resto do planeta.i
  • Atualmente, oito homens detêm a mesma riqueza que a metade mais pobre do mundo.ii
  • Ao longo dos próximos 20 anos, 500 pessoas passarão mais de US$ 2,1 trilhões para seus herdeiros – uma soma mais alta que o PIB da Índia, um país que tem 1,2 bilhão de habitantes.iii
  • A renda dos 10% mais pobres aumentou em menos de US$ 65 entre 1988 e 2011, enquanto a dos 10% mais ricos aumentou 11.800 dólares – 182 vezes mais.iv
  • Um diretor executivo de qualquer empresa do índice FTSE-100 ganha o mesmo em um ano que 10.000 pessoas que trabalham em fábricas de vestuário em Bangladesh.v
  • Nos Estados Unidos, uma pesquisa recente realizada pelo economista Thomas Pickety revela que, nos últimos 30 anos, a renda dos 50% mais pobres permaneceu inalterada, enquanto a do 1% mais rico aumentou 300%.vi
  • No Vietnã, o homem mais rico do país ganha mais em um dia do que a pessoa mais pobre ganha em dez anos.vii
  • Uma em cada nove pessoas no mundo ainda dorme com fomeviii.
  • O Banco Mundial deixou claro que, sem redobrar seus esforços para combater a desigualdade, as lideranças mundiais não alcançarão seu objetivo de erradicar a pobreza extrema até 2030.ix
  • Os lucros das 10 maiores empresas do mundo somam uma receita superior à dos 180 países mais pobres juntos.x
  • O diretor executivo da maior empresa de informática da Índia ganha 416 vezes mais que um funcionário médio da mesma empresa.xi
  • Na década de 1980, produtores de cacau ficavam com 18% do valor de uma barra de chocolate – atualmente, ficam com apenas 6%.xii
  • A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que 21 milhões de pessoas são trabalhadores forçados que geram cerca de US$ 150 bilhões em lucros para empresas anualmente.xiii
  • As maiores empresas de vestuário do mundo têm ligação com fábricas de fiação de algodão na Índia que usam trabalho forçado de meninas rotineiramente.xiv
  • Embora as fortunas de alguns bilionários possam ser atribuídas ao seu trabalho duro e talento, a análise da Oxfam para esse grupo indica que um terço do patrimônio dos bilionários do mundo tem origem em riqueza herdada, enquanto 43% podem ser atribuídos ao favorecimento ou nepotismo.xv
  • Mulheres e jovens são particularmente mais vulneráveis ao trabalho precário: as atividades profissionais de dois em cada três jovens trabalhadores na maioria dos países de baixa renda consistem em trabalho vulnerável por conta própria ou trabalho familiar não remunerado.xvi
  • Nos países da OCDE, cerca de metade de todos os trabalhadores temporários tem menos de 30 anos de idade e quase 40% dos jovens trabalhadores estão envolvidos em atividades profissionais fora do padrão, como em trabalho por empreitada ou temporário ou empregos involuntários em tempo parcial.xvii
  • A edição de 2016 do relatório anual do Fórum Econômico Mundial sobre as disparidades de gênero revela que a participação econômica de mulheres ficou ainda mais baixa no ano passado e estima que serão necessários 170 anos para que as mulheres recebam salários equivalentes aos dos homens.xviii
Sugestões da Oxfam para uma economia mais humana
1. Governos que trabalhem para os 99%
2. Incentivo à cooperação entre os países
3. Modelos de empresas com melhor distribuição de benefícios
4. Tributação justa à extrema riqueza
5. Igualdade de gênero na economia humana
6. Tecnologia a serviço dos 99%
7. Fomento às energias renováveis
8. Valorização e mensuração do progresso humano




segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Energia solar e eólica mais barata do que os combustíveis fósseis. Artigo de José Eustáquio Diniz Alves IN Redação - 16/01/2017 https://www.ecodebate.com.br/
Assim como a Idade da Pedra não acabou por falta de pedras,
a Era do Petróleo chegará ao fim, não por falta de óleo”
(Sheikh Ahmed-Zaki Yamani, 2000)
 


[EcoDebate] A revolução da matriz energética rumo às energias renováveis ganhou um grande impulso em 2016. O preço da energia solar, pela primeira vez, ficou igual ou mais barato do que os combustíveis fósseis.
Em documento publicado em dezembro, o Fórum Econômico Mundial (WEF) mostrou que em muitas partes do mundo, o preço das tecnologias renováveis, particularmente a solar (a eólica on shore já estava mais barata), caiu para níveis sem precedentes. Enquanto o preço global para o carvão e o gás natural é de cerca de US$ 100 por megawatt-hora, o preço da energia solar despencou de US$ 600 uma década atrás para US $ 300 apenas cinco anos depois e agora está perto ou abaixo de US$ 100. Para os aerogeradores eólicos baseados em terra, o preço é de cerca de US$ 50.
De acordo com o WEF, mais de 30 países já alcançaram paridade na rede, mesmo sem subsídios. “Paridade de rede” é o ponto em que uma fonte de energia alternativa, digamos solar, pode gerar energia em um custo nivelado igual ou mesmo menor que o preço do poder da grade tradicional. Isto quer dizer que o crescimento das energias renováveis não depende de uma vantagem de subsídio. Ao contrário, o consumo de combustíveis fósseis recebeu US$ 493 bilhões em subsídios em 2014, mais de quatro vezes o valor dos subsídios às energias renováveis.
O Sol irradia durante 365 dias o equivalente a 10 mil vezes a energia consumida anualmente pela população mundial. Assim, o nosso astro maior pode ser a grande fonte de energia renovável do planeta, tornando-se uma fonte energética que seja abundante, permanente, relativamente limpa e ecológica. O que faltava para o deslanche da energia solar era exatamente o custo de produção. O gráfico abaixo mostra que a capacidade instalada global de energia fotovoltaica cresceu mais de 10 vezes na última década e atingiu 50,6 GW em 2015

Estimativas para 2016 mostram que a capacidade instalada cresceu 73 GW, sob a liderança da China, seguida pelos Estados Unidos, Japão, Índia e Reino Unido. O Brasil ficou em vigésimo lugar, perdendo para países muito menores como Chile, África do Sul, Taiwan e Argélia. A Costa Rica usou 98,9% de energia renovável em 2016 e funcionou inteiramente na base da energia renovável por mais de 250 dias no ano passado, fato anunciado pelo operador de energia. A Costa Rica pode se tornar o primeiro país carbono-neutro do mundo.
Infelizmente, os últimos governos brasileiros resolveram apostar no pré-sal, como se fosse o “passaporte para o futuro” do Brasil. Acontece que os combustíveis fósseis são uma fonte de energia ultrapassada e altamente poluente. A Petrobras deveria mudar o nome para Energibras e investir pesadamente em energias renováveis. Se os governos brasileiros tivessem utilizado as enormes “jazidas” de sol e vento do país, aí sim teríamos um “passaporte para o futuro”, pois as energias renováveis representam a alternativa para o terceiro milênio. O avanço da energia solar e eólica pode evitar também crimes ambientais como a hidrelétrica de Belo Monte e outras barragens que impedem o livre fluxo dos rios e da vida aquática. Evidentemente, há aumento da produção de energia solar e eólica no Brasil. Mas o avanço é lento em relação ao resto do mundo e a democratização dos sistemas descentralizados é pequena.
Empreendedores, como Ellon Musk, apostam na produção de carros elétricos, autônomos e compartilhados e na integração entre os veículos elétricos e a produção doméstica de energia fotovoltaica, via telhados solares e baterias solares. Todo o sistema produtivo nacional pode ser afetado, positivamente, pela nova matriz energética. Especialmente se for feita de forma descentralizada, democrática, ambientalmente sustentável e fortalecendo o desenvolvimento local.
A Administração Nacional de Energia (NEA) da China, em documento que estabelece seu plano para desenvolver o setor de energia da nação durante o período de cinco anos de 2016 a 2020, planeja investir US$ 361 bilhões em geração de energia renovável até 2020, enquanto tenta mudar rapidamente da dependência do carvão sujo para combustíveis mais limpos. Os altos níveis de poluição atmosférica e as doenças respiratórias exigem a mudança energética.
Até 2025, a energia solar pode ficar mais barata do que o carvão, na média global, de acordo com a Bloomberg New Energy Finance. Desde 2009, os preços da energia solar caíram 62%. Isso ajuda a reduzir os prêmios de risco em empréstimos bancários e empurrou a capacidade de produção para níveis recorde.
Tudo indica que o mundo está passando por uma mudança em sua matriz energética. O predomínio do petróleo está ficando para trás e as energias renováveis estão assumindo a liderança. Isto é uma boa notícia para o clima, pois as energias renováveis emitem menor proporção de gases de efeito estufa. Resta saber se a velocidade desta mudança será suficiente para evitar os efeitos perversos do “pico do petróleo” e será suficiente para conter o aquecimento global e os impactos das mudanças climáticas.
Como alertou o ambientalista Ted Trainer (2008), as energias renováveis não são suficientes para manter a expectativa das pessoas por um alto padrão de consumo conspícuo. Ou como disse Mahatma Gandhi: “Há recursos suficientes no mundo para as necessidades do ser humano, mas não para a sua ambição”.
O sol e o vento são recursos naturais abundantes e renováveis, mas não podem fazer milagres e nem evitar a continuidade do metabolismo entrópico, como ensina a escola da economia ecológica. A humanidade já ultrapassou a capacidade de carga do Planeta. Nesse sentido, Trainer prega um mundo mais frugal, com decrescimento demoeconômico, onde as pessoas adotem um estilo de vida com base nos princípios da Simplicidade Voluntária. ENERGIAS RENOVÁVEIS SIM, CONSUMICÍDIO NÃO!
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, 16/01/2017