sábado, 10 de dezembro de 2016

A Transição Religiosa No Mundo No Século XXI, Artigo De José Eustáquio Diniz Alves

EcoDebate] O mundo vai passar por uma grande transição religiosa no século XXI. As filiações cristãs (católicas + evangélicas), que representavam 31,4% da população mundial em 2010, devem passar para 33,8% em 2100. No mesmo período, as filiações muçulmanas passarão de 23,2% para 34,9%. O ponto de inflexão deve ocorrer em 2070, quando os dois grupos devem ter, cada um, cerca de um terço (32,3%) do total da população mundial, conforme pode ser visto no gráfico acima do Instituto PEW.
As causas da mudança decorrem das diferenças na dinâmica demográfica e no processo de migração entre as religiões (trânsito religioso). Nas próximas quatro décadas, os cristãos permanecerão o maior grupo religioso, mas o Islã crescerá mais rápido do que qualquer outra religião importante.
Ateus, agnósticos e outras pessoas que não se afiliam a nenhuma religião – embora estejam aumentando em países como os Estados Unidos, França e Brasil, constituirão uma parte decrescente da população total do mundo. Isto deve ocorrer principalmente devido à diminuição absoluta da população chinesa a partir de 2027.
A população budista global será aproximadamente do mesmo tamanho que era em 2010, enquanto as populações hindu e judaica serão maiores do que são hoje. A Índia manterá uma maioria hindu, mas também terá a maior população muçulmana de qualquer país do mundo, superando a Indonésia.
Nos Estados Unidos, os cristãos vão diminuir de mais de três quartos da população em 2010 para dois terços em 2050, e o judaísmo não será mais a maior religião não cristã. Os muçulmanos serão mais numerosos nos Estados Unidos do que as pessoas que se identificam como judeus com base na religião. Quatro em cada 10 cristãos do mundo viverão na África subsaariana.

 Estas são algumas das tendências religiosas globais destacadas no estudo “The Future of World Religions: Population Growth Projections, 2010-2050” do Pew Research Center. As projeções levam em consideração o tamanho atual e a distribuição geográfica das principais religiões do mundo, diferenças de idade, taxas de fecundidade e mortalidade, migração internacional e padrões de conversão.
A transição religiosa global do século XXI vai ocorrer com aumento dos dois maiores grupos religiosos (cristãos e muçulmanos), redução do percentual das outras religiões em conjunto e redução do percentual dos sem-religião (unaffiliated). No global os muçulmanos serão o maior grupo religioso a partir de 2070. Além da mudança de hegemonia, em certo sentido, o mundo tende a ficar mais homogêneo em termos religiosos no século XXI (maior presença dos dois grandes grupos) e menos secular.
Estas são as projeções do estudo que pode ser acessado no link abaixo.
Referência:
PEW. The Future of World Religions: Population Growth Projections, 2010-2050. PEW, Abr 2015
http://www.pewforum.org/2015/04/02/religious-projections-2010-2050/

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

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Encenação de “Arlequim, servidor de dois senhores”, de Carlo Goldoni

Conservadores “denunciam” corrupção do Congresso, mas pedem que corruptos liquidem direitos do povo. Outras Palavras lança novo site, para informar em profundidade sobre uma luta crucial
Por Antonio Martins
Às vezes, diz o brocado, é mais fácil pegar um mentiroso que um coxo. Nos últimos dois anos, os conservadores brasileiros surfaram na onda do sentimento anti-establishment que percorre o planeta. Deram-lhe conteúdo reacionário. Em maio, derrubaram um governo que ensaiava reformas sociais tímidas porém inéditas – acusando-o de responsável por práticas de corrupção que marcam a história do país há séculos. Promoveram uma série inédita de ataques aos direitos sociais, aos serviços públicos e às liberdades democráticas. Governam como saqueadores, loteando o Estado e desmantelando as políticas públicas. Agora, quando começa a ficar claro que o resultado é o aprofundamento da crise, do desemprego e do empobrecimento, jogam a cartada do punitivismo. Convocam a população às ruas para pressionar por “dez medidas” que, se aprovadas, nos aproximarão ainda mais de um Estado Policial. Investem contra o Congresso Nacional. Ao fazê-lo, no mesmo momento em que o Palácio do Planalto tenta aprovar a “Reforma” da Previdência, arriscam-se a um enorme passo em falso, capaz de comprometer o conjunto de sua estratégia.
É que a manobra revela o caráter farsesco de seu “ataque” ao establishment. O sistema político brasileiro está, de fato, minado pela corrupção. As delações dos executivos da Odebrecht sugerem que só esta empresa – uma das dezenas que praticam permanentemente lobbyno Congresso – financiava e cobrava favores de cerca de metade (300) dos 594 deputados e senadores senadores. Mas como “denunciar” os corruptos e defender, ao mesmo tempo, que eles continuem governando e investindo contra os direitos da maioria?
É exatamente este o movimento em curso. Ontem, os noticiários da TV Globo e Globo News exortavam a população a ir às ruas contra parlamentares desonestos. A partir de hoje, as duas emissoras pedirão que estes mesmíssimos senhores invistam contra direitos históricos do povo. Hipocrisia idêntica é praticada pelos blogs (Spotnik e O Antagonista, por exemplo) ligados a movimentos como o MBL e Vem pra Rua. O pacote de maldades é vasto. Não se trata de uma reforma, mas de um autêntico desmonte da Previdência – talvez o único esboço de Estado de Bem-Estar Social que as maiorias conseguiram arrancar das elites, num dos países mais desiguais do mundo.
O tempo mínimo necessário para obter aposentadoria aumentará – em alguns casos, em até dez anos. A regra valerá inclusive para os que já ingressaram no mundo do trabalho, numa clara violação do princípio do direito adquirido. O próprio valor do benefício cairá em relação aos valores já minguados de hoje — exceto para os que acumulem, no momento da retirada, cinquenta anos de contribuições. As aposentadorias rurais e dos idosos deixarão de acompanhar o salário-minimo, o que as tornará irrisórias em pouco tempo. As pensões por morte serão achatadas. A lista completa teria 17 itens, todos retrógrados e impopulares.
Não se trata de propostas de difícil compreensão, como no caso da PEC 241/55. Serão sentidas por milhões. Têm sentido oposto ao defendido por Dilma e Temer, em 2014. Sequer foram cogitadas por Aécio Neves, o segundo colocado nas eleições. Como impô-las? Comprando maioria num Congresso “de corruptos”?
Recorre-se nesse ponto à arma onipresente da ideologia. A contrarreforma não seria opção política, mas fatalidade técnica. O atual sistema teria se tornado inviável, por acumular déficits constantes e crescentes. O “ajuste” visaria, na verdade, evitar sua quebra certa. Estas fórmulas serão repetidas mil vezes, nos próximos dias, talvez para testar de novo a hipótese de Goebbels, sobre os meios para transformar mentiras em verdades…

Outras Palavras lançou um novo site, dedicado à defesa da Seguridade Social. Chama-se
Previdência – Mitos e Verdades. Pode ser encontrado em www.outraspalavras.net/previdencia Seus objetivos políticos são claros: contribuir para desmascarar a “reforma” do governo e, num sentido mais amplo, a farsa em que se apoia a atual ofensiva conservadora. Seus métodos são os que procuramos praticar em toda nossa atividade jornalística. Investigação e análises profundas. Recusa à superficialidade e ao panfleto. Confiança na autonomia e espírito crítico dos leitores.
Para fazê-lo, mobilizamos três jornalistas tarimbados e sagazes – Glauco Faria, Patrícia Cornils e Nicolau Soares – e uma designer e editora de vídeos criativa – Gabriela Leite. Em defesa da Previdência e Seguridade Pública, eles examinarão o sistema atual e suas características. Mostrarão que, ao contrário do que alegam os conservadores, é preciso ampliar (e não reduzir) os benefícios, para construir uma sociedade um pouco menos injusta. Argumentarão que, para isso, as reformas necessárias são de sentido oposto às propostas pelo governo. Tributar os mais ricos, sempre poupados por nosso sistema tributário. Eliminar isenções (por exemplo, as que beneficiam o agronegócio). Rever privilégios: é aceitável reduzir a aposentadoria dos trabalhadores rurais e dos idosos e manter as pensões de marajás dos deputados e juízes?
Criado a partir de um projeto de Outras Palavras, o novo site já tem um primeiro apoiador: a Central dos Trabalhadores Brasileiros, (CTB). Seu aporte material permitiu formar a equipe e lançar a inicitavia A cláusula de independência editorial é pétrea. Eventuais erros e insuficiências em nosso trabalho são de responsabilidade exclusiva de Outras Palavras. Para uma batalha tão dura, queremos ampliar o leque de apoiadores. Além de outras centrais sindicais, ele pode incluir organizações e pessoas empenhados em lutar pelos direitos sociais e em reverter a maré conservadora que entristece o Brasil. Como é também marca registrada de nosso trabalho, a prestação de contas será pública.

Uma era – a Modernidade – está morrendo. As velhas relações sociais, econômicas e políticas tornam-se rapidamente obsoletas. O novo pode ser muito melhor ou pior, frisa Immanuel Wallerstein, mas não há volta atrás. Em meio à tempestade, chegaremos a um porto seguro? Não podemos saber de antemão, seguiremos navegando.
POR 
REDAÇÃO http://outraspalavras.net/brasil/comparato-um-judiciario-sem-controle-algum/
 ON 07/12/2016CATEGORIAS: BRASILDESTAQUESPOLÍTICAS
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Para o grande jurista, há uma razão para quase duzentos anos de desresponsabilização dos juízes: eles são o grande guardião do poder oligárquico. Mas existem alternativas.

Fábio Konder Comparato, entrevistado por Franciele Petry Schramm*
O arquivamento do pedido de impeachment do  Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, enquanto ainda tramitava no Senado Federal, não surpreendeu Fábio Konder Comparato, um dos integrantes do grupo de juristas que apresentou o pedido.
Segundo o professor emérito de Direito da Universidade de São Paulo (USP), é preciso levar em consideração que os senadores são julgados pelo STF nas infrações penais comuns, e que vários deles respondem a inquéritos criminais ou são réus em ações penais.  “É óbvio que o Senado Federal não é o órgão apropriado para julgar os crimes de responsabilidade cometidos pelos Ministros do Supremo Tribunal”, avalia.
Apresentado ao Senado no dia 13 de setembro e arquivado uma semana depois, o pedido de impeachment de Gilmar Mendes aponta, em seus argumentos, o comportamento partidário do ministro e a violação de princípios constitucionais e de códigos da magistratura.
Em entrevista a Articulação Justiça e Direitos Humanos, Comparato alerta para a falta de controle jurídico sobre Ministros do Supremo Tribunal Federal e aponta a necessidade de uma reforma do Poder Judiciário.
Confira:
JusDh: O pedido de impeachment de Gilmar Mendes aponta um comportamento partidário por parte de Gilmar Mendes, e acusa o ministro de ferir a Constituição, o Código de Ética e a Lei Orgânica da Magistratura. O senhor considera que a postura do Ministro é uma postura isolada dentro do STF?
Fábio Comparato: De todos os atuais Ministros do Supremo Tribunal Federal, o desempenho de Gilmar Mendes é o que mais deixa a desejar. É por isso que decidimos ingressar com o pedido de impeachment, exatamente para alertar os demais Ministros e a opinião pública quanto ao perigo de generalização desse mau procedimento. Na verdade, atualmente os Ministros de nossa, Suprema Corte de Justiça não estão sujeitos a controle jurídico algum, pois não há nenhum Poder acima do tribunal e dos magistrados que o compõem. A Constituição Federal dispõe em seu artigo 102 competir precipuamente ao Supremo Tribunal Federal “a guarda da Constituição”. O Conselho Nacional de Justiça é um órgão constitucional, com competência para controlar o cumprimento dos deveres funcionais dos juízes, declarados no Estatuto da Magistratura (art. 103-B, § 4º). Ninguém pode negar, nem mesmo o Ministro Gilmar Mendes, que os Ministros do Supremo Tribunal Federal fazem parte da magistratura e devem, por conseguinte, cumprir os deveres impostos pelo Estatuto da Magistratura. Ora, abusando de sua condição de instância judiciária máxima, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade 3.367 do Distrito Federal, decidiu que “o Conselho Nacional de Justiça não tem nenhuma competência sobre o STF e seus Ministros”. Ou seja, o tribunal decidiu isentar-se do cumprimento de qualquer dever funcional, ainda que previsto na Constituição, da qual foi declarado guardião.
Esse não é a primeira vez que um pedido de impeachment de um ministro do STF foi protocolado no Senado Federal. Até o momento, nenhum desses pedidos foi acatado pelo Senado. O senhor avalia que há dificuldade em colocar em questionamento as posturas e decisões do STF? Por quê?
Levando-se em conta que os Senadores são sujeitos à jurisdição do Supremo Tribunal Federal nas infrações penais comuns, e sabendo-se que vários dos atuais Senadores respondem a inquéritos criminais, ou já são réus em ações penais, é óbvio que o Senado Federal não é o órgão apropriado para julgar os crimes de responsabilidade cometidos pelos Ministros do Supremo Tribunal. Consta, aliás, que Sua Excelência, o Sr. Presidente do Senado Federal, responde a inquérito criminal no Supremo. Ora, ele, evidentemente, assim que recebeu a petição de impeachment de Gilmar Mendes, determinou o seu arquivamento. Ou seja, aplicou-se o velho costume do “dá lá, toma cá”.
De que forma a composição do Sistema de Justiça contribuiu para a manutenção de uma prática pouco democrática e que nem sempre observa a garantia dos direitos humanos?
Até a promulgação da Lei Orgânica da Magistratura (Lei Complementar nº 35, de 14/03/1979), não eram definidos os deveres funcionais dos magistrados. E até a promulgação da Emenda Constitucional nº 45, de 8/12/2004, que instituiu o Conselho Nacional de Justiça, não havia nenhum órgão de controle da atuação dos magistrados, incumbido de julgar o cumprimento de tais deveres. Verificamos, portanto, que durante um século e meio após a Independência, os nossos magistrados atuaram isentos de qualquer controle, a não ser o mui esporadicamente exercido por eles mesmos.
Dois exemplos históricos são ilustrativos dessa tradição de irresponsabilidade.
Em sua viagem ao redor do mundo, pela qual comprovou sua teoria da evolução das espécies, Charles Darwin fez uma estadia de vários meses no Brasil em 1832. Pôde então verificar o seguinte, conforme reportado em seu diário de viagem:
“Não importa o tamanho das acusações que possam existir contra um homem de posses, é seguro que em pouco tempo ele estará livre. Todos aqui podem ser subornados. Um homem pode tornar-se marujo ou médico, ou assumir qualquer outra profissão, se puder pagar o suficiente. palavra de Charles Darwin, ao redor do mundo, pela qual comprovou sua teoria da evolução das espécies, Foi asseverado com gravidade por brasileiros que a única falha que eles encontraram nas leis inglesas foi a de não poderem perceber que as pessoas ricas e respeitáveis tivessem qualquer vantagem sobre os miseráveis e os pobres”.
O segundo exemplo diz respeito ao Supremo Tribunal de Justiça, o mais alto órgão judiciário no tempo do Império. Ao final do seu reinado, em declaração ao Visconde de Sinimbu, D. Pedro II não pôde conter-se e desabafou:
“A primeira necessidade da magistratura é a responsabilidade eficaz; e enquanto alguns magistrados não forem para a cadeia, como, por exemplo, certos prevaricadores muito conhecidos do Supremo Tribunal de Justiça, não se conseguirá esse fim”. Disse D. Pedro II.
Quais caminhos e possibilidades o senhor considera necessário para tornar o Sistema de Justiça menos intangível, no que se refere à sua composição e na avaliação de suas próprias ações?
Desde sempre a magistratura brasileira com, raras e mui honrosas exceções, fez parte integrante do poder oligárquico, que predominou em nosso país desde o início da colonização portuguesa. Ora, um costume multissecular, entranhado na mentalidade coletiva e preservado pelas instituições políticas, não desaparece em pouco tempo. O processo de reforma em profundidade do Poder Judiciário será, portanto, concomitante ao processo de extinção do regime oligárquico; ou seja, não se fará da noite para o dia e, uma vez iniciado (o que ainda não aconteceu), irá durar várias gerações. O que se pode fazer hoje para provocar o início desse processo é propor algumas medidas específicas, as quais, como o pedido de impeachment de Gilmar Mendes, serão no começo certamente denegadas, mas, sendo reiteradas, acabarão por abalar a opinião pública, abrindo os olhos da maioria do povo, que não faz parte da oligarquia. Uma dessas medidas é a transformação do Supremo Tribunal Federal em Alta Corte Constitucional, reduzindo a sua competência e determinando que a nomeação de seus Ministros seja feita pelo Congresso Nacional, dentre candidatos escolhidos preliminarmente pelo Conselho Nacional de Justiça, o Conselho Superior do Ministério Público e o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil. É o que consta da Proposta de Emenda Constitucional nº 275/2013, por mim redigida e apresentada à Câmara dos Deputados pela Deputada Luiza Erundina. A segunda medida é a reorganização do Conselho Nacional de Justiça, a fim de que ele não seja composto por uma maioria de magistrados, como agora, e passe a ter explicitamente jurisdição sobre os Ministros do Supremo Tribunal Federal. A terceira medida seria, simplesmente, reintroduzir em nossa Constituição a ação popular contra magistrados, como determinavam os artigos 156 e 157 da Constituição de 1824:
Art. 156 – Todos os Juízes de Direito e os Oficiais de Justiça são responsáveis pelos abusos de poder e prevaricações que cometerem no exercício de seus Empregos; esta responsabilidade se fará efetiva por Lei regulamentar.
Art. 157 – Por suborno, peita, peculato e concussão, haverá contra eles ação popular, que poderá ser intentada dentro de ano e dia pelo próprio queixoso, ou por qualquer do Povo, guardada a ordem do Processo obedecida na Lei.

*Publicado no JusDH


Velocidade da luz: Google homenageia 340o aniversário da descoberta

O doodle de hoje homenageia a determinação de Romer da velocidade 
da luz que foi a demonstração em 1676 que a luz tem uma velocidade finita, portanto não viaja instantaneamente. A descoberta é geralmente atribuída ao astrônomo dinamarquês Ole Rømer (1644-1710), que trabalhava no Observatório Real em Paris na época.
Rømer estimou que a luz leva cerca de 22 minutos para atravessar o dobro da distância entre a Terra e o Sol, ao estimar os eclipses da lua de Júpiter Io. Nesse caso a luz teria a velocidade de cerca de 220.000 quilômetros por segundo, cerca de 26% inferior ao valor real.
Como toda grande descoberta a teoria era controversa no momento de seu anúncio, e nunca convenceu completamente o diretor do Observatório Real, Giovanni Domenico Cassini. Mas rapidamente ganhou apoio entre outros cientistas da época, como Isaac Newton. Foi confirmado apenas quase duas décadas após a morte do próprio Rømer, com a ajuda, em 1729, da aberração estelar pelo astrônomo inglês James Bradley.


Pós-verdade, opinião pública e democracia
Antonio Carlos Olivieri, da Página 3 Pedagogia & Comunicação


·         O presidente eleito dos EUA Donald Trump e o Brexit - a saída do Reino Unido da União Europeia - são exemplos de como a pós-verdade age sobre a opinião pública
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Você já ouviu falar em "pós-verdade"? Pode ser que não, mas se você está conectado com a realidade atual, mesmo sem perceber, certamente teve contato com fatos "pós-verdade" ou considerou "verdadeiros" alguns fatos que não passam de versões e interpretações dos acontecimentos, embora possam ser considerados "reais". Na coletânea de textos que informa esta proposta de redação, há elementos para compreender melhor a palavra e o seu significado. Levando isso em consideração, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre uma época em que se multiplica o papel da pós-verdade, tornando a opinião pública mais vulnerável do que nunca à manipulação. Que consequências isso teria para as sociedades humanas? O que a pós-verdade pode fazer com a democracia? De que modo a maioria das pessoas poderia se defender para, como se diz popularmente, não comprar gato por lebre? 

Pós-verdade
O Dicionário de Oxford acaba de nos dar uma valiosa contribuição para entender o mundo em que vivemos. Escolheu como palavra do ano uma expressão pouco conhecida: pós-verdade. É um adjetivo. Não chega a ser novo. Tem uma década, pelo menos. Mas os estudiosos de Oxford perceberam que nos últimos tempos seu uso passou a ser mais frequente: em artigos acadêmicos, por escritores, nos jornais e, finalmente, nas ruas. Pela definição do dicionário, pós-verdade quer dizer "algo que denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência para definir a opinião pública do que o apelo à emoção ou crenças pessoais". Em outros termos: a verdade perdeu o valor. Não nos guiamos mais pelos fatos. Mas pelo que escolhemos ou queremos acreditar que é a verdade.
(...)
O terreno da internet tem se revelado fértil para a propagação de mentiras — sempre interessadas —, trincheira dos haters. Levamos tanto tempo para estabelecer uma visão "científica" dos fatos, construir a isenção do jornalista, a independência editorial e, de repente, vemos que o debate político se dá entre "socos e pontapés". A pós-verdade arrasta a política, o jornalismo, a justiça, a economia, a nossa vida pessoal...

Inclinação cerebral

O semanário "The Economist" deu a capa de sua última edição para uma interessante reportagem sobre a política "pós-verdade". Ilustra o conceito com Donald Trump afirmando que Barack Obama é o criador do Estado Islâmico e a campanha do Brexit dizendo que a permanência do Reino Unido na União Europeia custa US$ 470 milhões por semana aos cofres britânicos. Não é preciso mais do que alguns neurônios e um computador para descobrir que ambas as afirmações são falsas, mas, ainda assim, elas prosperaram.
Obviamente, a centenária publicação reconhece que governantes sempre mentiram, mas conjectura que vivemos uma era em que está ficando cada vez mais fácil para políticos inventar qualquer coisa e se dar bem. Parte do problema é a natureza humana. Nossos cérebros têm uma perigosa inclinação por acreditar naquilo que nossos sentimentos dizem que está certo e evitam o trabalho de conferir a veracidade das teses de que gostamos. E, se nunca foi fácil estabelecer o que pode ser considerado um fato na política, isso está se tornando cada vez mais difícil.
Para "The Economist" são dois os motivos. Primeiro, instituições que se encarregavam de facilitar a formação de consensos como escolas, ciência, Justiça e mídia vêm sendo vistas com mais desconfiança pelo público. Além disso, passamos a nos informar através de algoritmos que, em vez de nos expor ao contraditório, nos enterram cada vez mais fundo naquelas versões que já estávamos mais dispostos a acreditar. Daí aos reinos mágicos é só um pulinho. 

Cognição preguiçosa

A pós-verdade é um caso típico de aplicação da teoria da "cognição preguiçosa", criada pelo psicólogo e prêmio Nobel Daniel Kahneman, para quem as pessoas tendem a ignorar fatos, dados e eventos que obriguem o cérebro a um esforço adicional.
Aqui no Brasil, a pós-verdade é nítida no caso das investigações da Lava Jato. Separar o joio do trigo no emaranhado de versões e contraversões produzidas pelas delações premiadas é bem complicado. Há poucas dúvidas sobre a existência de esquemas de propinas, caixa dois eleitoral, superfaturamento, formação de cartéis e enriquecimento de suspeitos, mas provar cada um deles com base em evidências é uma operação complexa e demorada. Em alguns casos até inviável dada a sofisticação dos esquemas adotados pelos suspeitos de corrupção.
Mas como existe o interesse político envolvendo a questão e como existe a "cognição preguiçosa", as convicções passam a ocupar o espaço das evidências e provas. A dicotomia jurídica clássica entre o legal e o ilegal passa a ser substituída por justificativas tipo "domínio do fato", ou seja, convicções construídas a partir da repetição massiva de percepções individuais ou corporativas, pelos meios de comunicação.

Observações

Seu texto deve ser escrito na norma culta da língua portuguesa.
Deve ter uma estrutura dissertativa-argumentativa.
Não deve estar redigido sob a forma de poema (versos) ou narração.
A redação deve ter no mínimo 15 e no máximo 30 linhas escritas.
De preferência, dê um título à sua redação.
Envie seu texto até 25 de dezembro de 2016.
Confira as redações avaliadas a partir de 1 de janeiro de 2017.
A redação deve ser digitada e enviada para o e-mail: bancoderedacoes@uol.com.br

Com base nos textos acima, elabore sua redação sobre o tema "Pós-verdade, opinião pública e democracia." Quando ela estiver pronta, envie para bancoderedacoes@uol.com.br