quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
EDUCAÇÃO SUPERIOR
REARTICULAÇÃO DO COMITE PRO UNIFESSPA DE XINGUARA
(COM PAUTA GARANTIDA)
Compareceram 11 lideranças na reunião
hoje as 9hs, na Câmara Municipal de Xinguara, onde definimos agendas e
atividades com o objetivo de articular junto ao Governo Federal e Ministério da
Educação em Brasília, os investimentos financeiros para implantação dos Cursos
de Zootecnia, Medicina Veterinária e Geografia para o CAMPUS DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO SUL E SUDESTE DO PARA (UNIFESSPA) EM XINGUARA, o mais breve
possível!
Nesse sentido, essa Comissão reunida hoje, 15/02, se propõe a
rearticular O COMITE PRO UNIFESSPA DE XINGUARA, por meio das seguintes
atividades, nos próximos dias:
- Realização de Audiência Pública Regional em 18 de Março, em Xinguara, das 14hs as 17hs, com a presença da Reitoria da UNIFESSPA, Senadores, Deputados Federais e Estaduais, Governo do Estado, Prefeitos, Vereadores, Secretarias Municipais de Educação e Lideranças Sindicais, Associações e Estudantes!
- Mobilização junto aos Municípios da Região Sul do Pará para a participação nessa Audiência em 18 de Março;
- Ampliar divulgação junto a população de Xinguara e Região dos projetos em andamento de implantação do Campus Unifesspa de Xinguara, para maior adesão popular, social e política para esse objetivo!
- Intensificar articulação junto aos Deputados Federais e Senadores em Brasília para apoio as reivindicações da Unifesspa de Xinguara!
- Realização de Audiência Pública Regional em 18 de Março, em Xinguara, das 14hs as 17hs, com a presença da Reitoria da UNIFESSPA, Senadores, Deputados Federais e Estaduais, Governo do Estado, Prefeitos, Vereadores, Secretarias Municipais de Educação e Lideranças Sindicais, Associações e Estudantes!
- Mobilização junto aos Municípios da Região Sul do Pará para a participação nessa Audiência em 18 de Março;
- Ampliar divulgação junto a população de Xinguara e Região dos projetos em andamento de implantação do Campus Unifesspa de Xinguara, para maior adesão popular, social e política para esse objetivo!
- Intensificar articulação junto aos Deputados Federais e Senadores em Brasília para apoio as reivindicações da Unifesspa de Xinguara!
COM INFORMAÇÕES DE CLAUDIO MARQUES https://www.facebook.com/claudio.eliasmarques/posts/1304212409673172?from_close_friend=1
Política
CNT
/ MDA
Aprovação de Temer é menor
que a de Dilma antes do impeachment, diz pesquisa
- Redação — publicado 15/02/2017
12h18
Avaliação positiva do governo
cai para 10,3%, ante os 11,4% que a petista tinha no último levantamento antes
de ser afastada; reprovação é menor que a de Dilma
![]() |
Temer na terça-feira 14: aprovação é baixa |
A nova rodada da pesquisa CNT / MDA,
divulgada nesta quarta-feira 15 pela Confederação Nacional do Transporte,
mostra que a aprovação do governo de Michel Temer(PMDB) é menor que a
verificada para sua antecessora, Dilma Rousseff (PT), em levantamento semelhante
realizado em fevereiro, três meses antes do afastamento provisório da petista.
De acordo com os dados, a avaliação positiva do governo Temer caiu de
14,6% em outubro de 2016 para 10,3% em fevereiro de 2017.
Em fevereiro de 2016, antes de ser
afastada provisoriamente do cargo, o que se deu em maio daquele ano, Dilma
tinha avaliação positiva em 11,4% (9,7% bom e 1,7% ótimo). O ponto mais baixo
da aprovação da ex-presidenta foi verificado em outubro de 2015, quando apenas
8,8% classificavam seu governo como bom ou ótimo.
Em termos de avaliação negativa, a de Dilma era significativamente
superior à de Temer. Ela tinha 70% de ruim ou péssimo em outubro de 2015,
índice que caiu para 62,4% em fevereiro de 2016. Temer tem atualmente 44,1% de
avaliação negativa, contra 36,7% verificados em outubro de 2016.
A aprovação do desempenho pessoal de Temer também caiu. Foi de 31,7% em
outubro de 2016 para 24,4% agora. A desaprovação da atuação de Temer passou de
51,4% para 62,4% no mesmo período. Em fevereiro de 2016, a aprovação pessoal de
Dilma era de 21,8%, contra 73,9% de reprovação.
Corrupção
Ao comparar a ocorrência de corrupção entre os governos Temer e Dilma Rousseff,
48,8% consideram que o nível de corrupção é igual nos dois. Para 31,5%, havia
mais corrupção no governo de Dilma, e 16,1% acham que há mais corrupção no
governo de Michel Temer.
A pesquisa CNT/MDA ouviu 2.002 pessoas, em 138 municípios de 25 Unidades
Federativas, das cinco regiões. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais
para cima ou para baixo, com 95% de nível de confiança.
Política
Solução
Michel
Os 14
atos para “estancar a sangria” da Lava Jato
Por Redação — publicado 15/02/2017 10h56, última
modificação 15/02/2017 11h00 http://www.cartacapital.com.br/
Com Temer no poder,
governo, Congresso, PMDB, integrantes do Judiciário, grupos anti-PT e donos da
mídia se movem em direção que indica tentativa de "delimitar" a
operação
Foto
Com o fim dos recessos no
Legislativo e no Judiciário, fevereiro de 2017 se tornou um marco na pressão
contra a Operação Lava Jato. A investigação abala a República há
três anos, pois, assim como ocorreu com as operações Satiagraha e Castelo de
Areia, a Lava Jato se embrenhou nos esquemas de financiamento de campanhas
políticas e nas relações entre o empresariado e os donos de cargos eletivos.
Graças à maior especialização dos investigadores e à criação de estruturas para as
apurações, e também a uma intensa pressão da opinião pública, e publicada, a
Lava Jato avançou. Com suas mega operações e também inúmeros vazamentos, além
de ilegalidades como a divulgação dos áudios entre Lula
e Dilma Rousseff, teve
papel decisivo na derrubada do governo petista.
Na gênese da ação para
remover Dilma estava também uma estratégia para acabar com a operação.
Isso ficou claro no diálogo vazado e publicado em maio pela Folha
de S.Paulo entre Sergio Machado, ex-presidente da
Transpetro (subsidiária da Petrobras), e o atual líder do governo Michel Temer
no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
Jucá - Você tem que ver com
seu advogado como é que a gente pode ajudar. [...] Tem que ser política,
advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que
resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.
Machado - É um acordo, botar o
Michel, num grande acordo nacional.
Jucá - Com o Supremo, com
tudo.
Machado - Com tudo, aí parava
tudo.
Jucá - É. Delimitava onde
está, pronto.
A existência dessa
estratégia foi confirmada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Na
denúncia em que pediu a abertura de um inquérito criminal contra o
ex-presidente José Sarney (PMDB), os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Renan
Calheiros (PMDB-AL) e Sérgio Machado, Janot afirmou que a
formação do governo Temer visava proteger a organização criminosa investigada na Lava
Jato. Segundo o PGR, as nomeações de Jucá, Sarney Filho e Fabiano
Silveira para o ministério de Temer tinham o objetivo de criar "ampla base
de apoio" para conter a Lava Jato.
Neste contexto, as duas
primeiras semanas de fevereiro concentraram 14 atos que revelam uma
movimentação para "estancar a sangria" provocada pelas investigações.
Confira
a lista:
Eunício na presidência do Senado – 1º de
fevereiro
A base aliada do governo
Temer se juntou para colocar no comando do Senado um alvo da Lava Jato, Eunício
Oliveira (PMDB-CE). Apelidado de "Índio" por um delator da Odebrecht,
Eunício foi apontado como integrante do "núcleo dominante" do
PMDB no Senado. Ainda segundo o delator, Eunício teria atuado em favor da
Odebrecht no Senado em emendas benéficas à empresa. No cargo, Eunício terá
papel determinante na análise de legislações que podem tolher as investigações,
como a lei de abuso de autoridade ou a anistia ao caixa 2.
Maia na presidência da Câmara – 2 de
fevereiro
Um dia depois de Eunício
Oliveira ser eleito no Senado, a Câmara também confirmou sua intenção de ser
comandada por um alvo da Lava Jato. "Botafogo" na delação da Odebrecht,
Maia foi acusado de ter recebido dinheiro para defender os interesses da
construtora, assim como de favorecer a OAS, outra empreiteira. Da mesma forma
como Eunício, Maia tem peso relevante no futuro de projetos que podem afetar a
Lava Jato. No ano passado, por exemplo, ele foi apontado como um dos
articuladores do "golpe da madrugada", um acordão
em favor da anistia ao caixa 2.
Moreira Franco no ministério – 2 de
fevereiro
No início de fevereiro, o
então secretário-executivo do Programa de Parcerias em Investimentos (PPI) do
governo foi promovido a ministro da Secretaria Geral da Presidência, ministério
recriado por Temer para abrigar Moreira Franco. A nomeação, que se deu três
dias depois de o STF homologar as delações da Obebrecht,
foi vista como uma forma de proteger Moreira do juízo de Sergio Moro,
responsável por julgar a Lava Jato em primeira instância. Ao contrário do que
ocorreu quando Lula estava na mesma situação, o STF autorizou a nomeação de
Moreira.
Temer indica Moraes ao STF – 6 de fevereiro
No início do mês, Temer
decidiu indicar seu ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para o Supremo
Tribunal Federal. A nomeação chamou atenção porque Moraes, homem de confiança
de Temer, pode vir a ser responsável por julgá-lo caso o atual ocupante do
Planalto seja denunciado pela Procuradoria-Geral da República. Apenas em uma
delação da Odebrecht no âmbito da Lava Jato, Temer foi citado 43 vezes.
Gilmar Mendes critica Moro – 7 de
fevereiro
Crítico conhecido de Sergio Moro, o
ministro do STF Gilmar Mendes pouco falou sobre as decisões do magistrado
enquanto a Lava Jato tinha o PT e o governo Dilma Rousseff na mira. No retorno
do recesso de 2017, o amigo
de Temer voltou à carga e passou a criticar as prisões
decretadas por Moro, vistas pelos defensores da operação como importantes para
o avanço das investigações.
"Temos um encontro marcado com as alongadas prisões que se
determinam em Curitiba. Temos que nos posicionar sobre este tema que conflita
com a jurisprudência que desenvolvemos ao longo desses anos", disse
Mendes. Em despacho publicado três dias depois, Moro afirmou, sem citar Gilmar,
que não vai ceder "à pressão política".
Articulação pró-Cunha – 8 de fevereiro
Potencial delator, o deputado cassado
Eduardo Cunha (PMDB) está preso desde outubro, por uma decisão de Sergio Moro
que foi referenda pelo antigo relator da Lava Jato no STF, Teori Zavascki. Um
recurso da defesa de Cunha está no STF, mas foi retirado da Segunda Turma,
responsável pela Lava Jato, por Teori, que temia uma articulação
pró-Cunha.
O exame do caso pelo STF estava pautado para 8 de fevereiro, data
mantida por Edson Fachin, o novo relator da Lava Jato. Fachin chegou a dizer
que o caso seria examinado pelo plenário naquela data, mas a sessão foi
encerrada sem que o tema fosse discutido.
Edison Lobão na CCJ – 9 de fevereiro
Como a maior bancada do Senado, o PMDB
tinha o direito de indicar o presidente da Comissão de Constituição e Justiça
(CCJ), o mais importante e estratégico colegiado da Casa. O nome escolhido pelo
partido foi o de Edison
Lobão (MA), objeto de dois inquéritos e duas investigações da Lava
Jato. A escolha de um alvo dos procuradores para atuar na linha de frente
do Senado foi entendida como uma tentativa de dar proeminência a ele para
enfrentar a Lava Jato.
Investigados na CCJ – 9 de fevereiro
Assim como a presença de Lobão na
presidência da CCJ, as nomeações dos senadores para compor o colegiado
provocaram questões sobre a motivação das indicações. Dez integrantes da
comissão são alvo da Lava Jato e poderão votar a indicação de Alexandre de
Moraes para o STF.
"Estadão" contra Dallagnol – 9
de fevereiro
Os editoriais do jornal O
Estado de S.Paulo mostram que os donos do veículos são atualmente os
mais alinhados à administração de Michel Temer. Na mesma semana, a publicação
fez dois artigos
atacando o procurador do MPF Deltan Dallagnol, coordenador da
força-tarefa da Lava Jato. Nos textos, o jornal acusou Dallagnol de defender um
"direito autoritário, próprio das tiranias" e a "relativização
do direito de defesa", preocupações que não manifestava quando Dilma estava
no poder.
Como se sabe, a imprensa teve um papel
relevante para galvanizar o discurso anticorrupção contra Dilma e o recuo nessa
posição poderia ajudar Temer, assim como prejudicar a Lava Jato, que deposita
muitas esperanças na opinião pública.
CCJ contra Janot – 10 de fevereiro
Duas das tarefas da CCJ do Senado são
sabatinar e aprovar, ou não, a indicação do Palácio do Planalto para a
Procuradoria-Geral da República. Reconduzido ao cargo por Dilma em 2015, contra
a pressão do PMDB, Rodrigo Janot está em seu segundo mandato, que acaba em
setembro.
Ele poderia ser reconduzido por Temer,
se este assim desejasse, mas deve enfrentar restrições na CCJ, onde estão
muitos alvos da Lava Jato. Segundo publicou a Coluna do Estadão,
"partidos atingidos pela Lava Jato" já iniciaram as tratativas para
bloquear um eventual terceiro mandato de Janot ou a escolha de alguém próximo a
ele.
Lobão defende anistia e critica delações – 11 de
fevereiro
Em entrevista publicada pelo jornal O
Estado de S.Paulo, Edison Lobão criticou a Operação Lava Jato. Para o
presidente da CCJ do Senado, a anistia ao caixa 2, vista como golpe de morte na
Lava Jato, é constitucional, e pediu mudanças na legislação que trata das
delações premiadas, defendendo que só sejam admitidas se o delator estiver
solto. Para Lobão, a Lava Jato “virou um inquérito universal” que pode
levar o Brasil à "tirania".
Lobão: investigado,
ele comanda a CCJ e é favor da anistia ao caixa dois (Foto: Marcelo Camargo /
Agência Brasil)
Leandro Daiello fora da Polícia Federal? – 12 de
fevereiro
Leandro Daiello é o diretor da Polícia Federal desde 2011, quando foi
nomeado por José Eduardo Cardozo, então ministro da Justiça de Dilma Rousseff.
Há muito tempo no cargo, colecionou desafetos na PF, em especial entre os
delegados. Na sexta-feira 10, uma assembleia da Associação Nacional dos
Delegados da Polícia Federal (ADPF) aprovou o envio de um carta a Temer pedindo
a cabeça de Daiello. Em 12 de fevereiro, a carta foi enviada.
A ADPF alega que Daiello estaria prejudicando as investigações da Lava
Jato, ao promover mudança na força-tarefa da operação, mas os integrantes da PF
que atuam na força-tarefa rechaçam essa impressão e atribuem a Daiello apoio
fundamental na continuidade das investigações. Temer vai nomear um novo
ministro da Justiça para o lugar de Daiello e a pressão da ADPF pode ser
alavanca para retirar do cargo o diretor da PF.
O silêncio das ruas – 13 de fevereiro
Na segunda-feira 13, vários dos
movimentos que foram às ruas contra o PT anunciaram um novo protesto para 26 de
março. A divergência de pauta entre eles na nova convocação evidencia,
entretanto, que a única motivação em comum desses grupos eram o antipetismo. O
Vem Pra Rua tem feito postagens nas redes sociais contra a nomeação de Moreira
Franco, mas o Movimento
Brasil Livre (MBL), que é aliado
do governo Temer, vai para as ruas defendendo as reformas
trabalhista e previdenciária, as duas principais pautas legislativas do
Planalto.
Temer protege os investigados do governo – 13
de fevereiro
Na segunda-feira 13, Temer fez um pronunciamento cujo objetivo declarado
era prometer que não iria interferir na Lava Jato. Como argumento para tanto,
disse que ministros denunciados seriam afastados provisoriamente e ministros
tornados réus seriam demitidos. Na prática, Temer deu um salvo-conduto para que
os ministros citados em delações premiadas continuem trabalhando, em uma
tentativa de blindar seu governo contra os vazamentos das investigações.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017
POR
Projeto do governo para Ensino Médio chega ao Senado. Resistiremos: porque só uma visão não-fragmentada do mundo permite transformá-lo
![]() |
Por Fran Alavina | Imagem: Pieter Bruegel, The Parable of the Blind Leading the Blind, 1568 |
De novo, querem nos calar! De fato, não se trata de nenhuma novidade.
Contra o silêncio da dúvida que precede toda contestação, querem impor o
emudecimento forçado. Com efeito, a história da Filosofia está marcada por
tentativas de fazer calar a potência do pensamento. Não foi assim contra
Giordano Bruno, morto pela inquisição vaticana por ter nos mostrado as
possibilidades abertas pelo alcance da infinitude? Não foi assim também com
Walter Benjamim, perseguido até a morte pelos nazifascistas? Nessas, e em
tantas outras tentativas, mesmo naquelas ocasiões em que os filósofos não são
mortos, trata-se de realizar ações violentas contra uma forma de saber que
sempre se coloca contra toda imposição.
De fato, o outro nome da Filosofia é Liberdade. São justamente os que
querem a servidão dos ânimos, a subordinação do pensamento, em vez da sua
autonomia doadora de pluralidade, que, mais uma vez, agindo violentamente,
querem calar a voz rouca de um saber secular. Desta vez, trata-se de uma
violência em forma de lei, por conseguinte uma violência constitucional. No final do ano passado, a Câmara
dos Deputados votou pela não obrigatoriedade da Filosofia e da Sociologia na
grade curricular do ensino médio. Para “disfarçarem” a violência de uma lei sem
legitimidade, pois feita sem a devida discussão e sem a anuência da comunidade
escolar, disseram que tratar-se-ia de dissolver os conteúdos filosóficos em
outras disciplinas da grade curricular. Agora, ainda nesse primeiro semestre de
2017, o projeto deve ser discutido e votado no Senado Federal. Esta dissolução
tentar enfraquecer a Filosofia e a Sociologia à medida que tenta fazer crer que
seus conteúdos possam ser simplesmente dissolvidos em outros saberes.
Na verdade, não se trata de ensejar o diálogo interdisciplinar, mais sim
de reduzir ao mínimo do mínimo possível o espaço propício ao pensamento
crítico. Os conteúdos filosóficos e sociológicos possuem especificidades que
lhes são próprias, demandando, por isso, tempo e espaço particulares. São
conteúdos sólidos, que ao mesmo tempo em que ensejam um saber específico, podem
colocar em diálogo disciplinas aparentemente díspares como a matemática e a
literatura. Portanto, a via não é a dissolução dos conteúdos filosóficos e
sociológicos, mas, pelo contrário, o fortalecimento deles, garantindo-lhes
maior espaço e consideração na vida escolar.
Esta ação contra a Filosofia e a Sociologia está no bojo da famigerada
reforma do ensino médio, que nada mais é que o retrocesso do sistema público de
ensino. Se aprovada esta reforma-desmache, teremos dando dez
passos para trás. Caindo em um tipo de ensino médio tecnicista capenga,
reforçador das desigualdades sociais à medida que retira das classes populares
o direito ao saber em sua completude. Para a imensa maioria, o mínimo; para
alguns poucos, o tudo. Ademais, este gesto autoritário contra a Filosofia e a
Sociologia dá margem a uma estupenda queda da qualidade do ensino, pois
junta-se a isto, a possibilidade de que pessoas de “notório saber”, portanto
sem a qualificação específica para o ensino, possam ministrar aulas. Desse
modo, a reforma-desmanche do ensino médio tenta “flexibilizar” o saber para torná-lo um simples
acúmulo de opções mínimas, dando aos alunos uma visão de mundo fragmentada e
dispersa. Esta fragmentação e dispersão impede uma interpretação crítica da
realidade, uma vez que faz parecer distante aquilo que está próximo. Retorna,
em alguma medida, o lema do dividir para dominar melhor.
É esta visão dispersa de uma realidade apresentada como justaposição de
fragmentos autônomos que possibilita, por exemplo, a ilusão de que a
justificativa econômica está acima do argumento político; ou a fantasia
desastrosa de que homens “não políticos” possam fazer política; ou ainda a
crença supersticiosa de que todos nós somos empreendedores de nós mesmos; e,
que, portanto, ao trabalharmos não somos trabalhadores, mas “prestadores de
serviços”. Neste último caso, a reforma-desmanche do ensino médio está de mãos dadas com a ideologia neoliberal. É próprio
da ideologia neoliberal fragmentar e dispersar para reduzir e limitar nossa
visão de mundo. Não por mera coincidência, seu produto mais acabado no campo do
saber é o aparecimento da figura do especialista. Aquele que sabe
cada vez mais sobre cada vez menos. Conforme avança a sanha neoliberal, mais
pobre se torna a compreensão do que seja o processo educativo: reduzindo a
dignidade do saber ao utilitarismo do mercado. Quem sabe em
virtude da utilidade do mercado nunca sabe por si mesmo, portanto é um sujeito-objeto.
Um sujeito incapaz de dar um sentido único à dispersão que o aprisiona,
um sujeito dócil, útil à servidão voluntária.
Dessa forma, tentam formar uma geração muda e resignada, mas que já deu
mostras de não se deixar calar facilmente. Trata-se de um projeto de médio
prazo: incapacitar o pensamento crítico no presente para fechar a possibilidade
de qualquer futuro melhor e diferente do que temos hoje.
Ao neoliberalismo não interessa o saber na verdadeira acepção do termo,
mas a ignorância disfarçada de conhecimento. Na medida em que não são ofertados
os meios necessários para se constituir uma visão integral da realidade em suas
diversas instâncias, conforme quer fazer a reforma-desmanche do ensino médio, mais de uma geração sofrerá um genocídio educacional.
Não será apenas um genocídio simbólico, mas também material, uma vez que o tipo
de saber construído afetará materialmente e politicamente as próximas gerações
das classes trabalhadoras. Um genocídio típico dos regimes ditatoriais, mas,
dessa vez, feito sob a tutela “democrática”.
Ora, a última vez que a Filosofia foi retirada da grade curricular foi
justamente nos anos da ditadura militar. Os artífices do poder autoritário e
dos regimes de exceção sabem que o exercício do pensamento quando feito
livremente, e na sua plenitude, é por natureza indômito. Estavam cientes
naquela época, como agora, que o pensamento é ousado e que nunca se dobra aos
cerceamentos.
Ante a violência do poder que impõe, a Filosofia afasta toda forma de
resignação. Nunca está resignado quem se põe a pensar sobras as causas de
obviedades aparentes que sustentam a servidão voluntária. Questionar, por mais
simples que seja o questionamento, já é não resignar-se. Por isso, a relação
entre Filosofia e Democracia é algo inconteste. Quando os regimes democráticos
estão ameaçados ou em crise, como no nosso caso, sempre se atenta contra a
Filosofia, pois se reconhece nela uma forma de saber que mesmo sendo
considerada inútil, se presta ao mais digno dos trabalhos: o reconhecimento da
liberdade como único meio pelo qual se dá uma existência verdadeiramente
humana. A Filosofia é, por excelência, o saber que interpela o poder. Por isso,
não são poucos os que querem o seu silêncio.
Resistiremos, pois a Filosofia nunca se resigna. Ela resistiu desde
quando aquele grego inoportuno fazia, no espaço público, simples perguntas aos
seus concidadãos. Ele mostrou que a verdadeira vida democrática é aquela que
não teme a dúvida, nem exaspera ante o reconhecimento dos opostos, fazendo da
contestação um índice de vitalidade da vida democrática. Por isso, agora, que
mais uma vez se tenta agir com violência contra a Filosofia, é a hora de fazer
como fez o velho grego: ocupar os espaços públicos possíveis, fazer indagações
simples e aparentemente inoportunas, pois este tipo de indagação é aquela que
se presta ao desmoronamento das falsas certezas. Assim, talvez a primeira
destas indagações seja esta: quem quer nos calar?
Assinar:
Postagens (Atom)